07 novembro, 2017

O Evangelho Gasparzinho


Uma das frases mais ditas pelos adeptos da Teologia da Missão Integral (TMI) é: o evangelho todo para o homem todo. Tal concepção parte do ponto de vista da integralidade do evangelho e da integralidade do ser. Sendo assim, tomamos como importante tanto a esfera espiritual como a esfera natural e as suas dimensões: social, biológica, histórica e política.

Há quem defenda que a igreja deve se preocupar única e exclusivamente com a proclamação do evangelho. Para quem assim acredita, o lema é: devemos levar a salvação da alma, pois igreja não é obra social. Uma das críticas feitas a quem se engaja muito com a obra social é a de que estão fazendo muito no âmbito natural, alimentando naturalmente os famintos e deixando de dar alimento espiritual e proclamar o evangelho. Afirmam que é necessário ensinar a pescar e não se deve dar o peixe.

Pois bem, quero aqui deixar registrada a minha crítica ao que chamo de “EVANGELHO GASPARZINHO”. É o evangelho que só se preocupa com a alma do indivíduo. Sua expressão máxima é: temos que ganhar almas! Esse pseudoevangelho diz que é preciso salvar a alma da pessoa, o resto é que se dane. Se ela está sem ter o que vestir, o que comer e onde morar, o problema é dela. Eu não posso fazer nada. O que tinha que fazer já fiz. Dei a ela o acesso ao reino dos céus. Aqui ela pode sofrer a vontade, pois o alívio dela será na eternidade.

Quanta hipocrisia! Quando eu falo do evangelho para uma mãe que mora num barraco sem saneamento básico, preocupada com a alimentação dos seus filhos, ela quer saber se essa tal “boa notícia” passa pela transformação da realidade dela.

Veja o que a bíblia diz:


“Se alguém tiver recursos materiais e, vendo seu irmão em necessidade, não se compadecer dele, como pode permanecer nele o amor de Deus?”
(1 João 3.17)

É muito comum vermos igrejas fazendo barganhas e praticando o proselitismo com cestas básicas. Fornecem as cestas desde que as pessoas mantenham frequência aos cultos. Costumeiramente acontece de uma pessoa faminta entrar num templo, logo o obreiro diz: “fica aí, senta assiste a escola dominical, depois o culto, então veremos o que podemos fazer para lhe ajudar.” Quer dizer, a pessoa que já está com fome vai permanecer por mais horas sem se alimentar. Será que ela realmente irá prestar atenção e dar crédito aquilo que será falado na igreja?

Pensando bem... Que atitude mesquinha essa. Se a pessoa não quiser partilhar da mesma fé que eu e não quiser assistir o culto ela deve morrer de fome? A minha ajuda está condicionada a isso?

“Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo?
E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento quotidiano,
E algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí?”
(Tiago 2.14-16)

Jesus ordenou aos seus discípulos que dessem de comer ao povo. Não mandou ninguém trazer varas e ensinar a pescar.

“E, sendo chegada à tarde, os seus discípulos aproximaram-se dele, dizendo: O lugar é deserto, e a hora é já avançada; despede a multidão, para que vão pelas aldeias, e comprem comida para si. Jesus, porém, lhes disse: Não é mister que vão; dai-lhes vós de comer."
(Mateus 14.15-16)

Uma desculpa das mais esfarrapadas que vejo é a de que já sou dizimista. Ao dar o dízimo, muita gente pensa que já cumpriu sua obrigação, portanto, se vê isenta da necessidade de socorrer o necessitado.

Repare na parábola do bom Samaritano. O sacerdote e o levita estavam tão preocupados com a sua atividade no templo que esqueceram de ver Jesus ali deitado a beira do caminho.

Para nossa reflexão:

“Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram;
Necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram’.
"Então os justos lhe responderão: ‘Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber?
Quando te vimos como estrangeiro e te acolhemos, ou necessitado de roupas e te vestimos?
Quando te vimos enfermo ou preso e fomos te visitar? ’
“O Rei responderá: ‘Digo-lhes a verdade: o que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram.’”
(Mateus 25.35-40)

Como esse “evangelho Gasparzinho” tem se espalhado por aí. O evangelho é integral, ele abrange a minha vida como um todo. Para quem não entendeu: 10% é o mínimo. Sua vida, suas finanças, seu tempo, sua energia devem estar 100% comprometidas com a causa do reino. Por isso, o evangelho abrange em 100% a vida e as necessidades humanas, isto é, copo, alma e espirito.

A.    F. Freitas



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