23 junho, 2016

Estuprados na Alma


Por Allan Felipe Freitas

Ultimamente, para a glória de Deus, a nossa sociedade tem discutido intensamente a questão do estupro. Após a divulgação de um vídeo no qual uma adolescente de 16 anos é brutalmente estuprada por 33 homens, numa comunidade da zona oeste do Rio de Janeiro, muitas pessoas manifestaram o seu apoio à vítima desta terrível violação. Inúmeras postagens recentes fizeram menção à cultura de estupro enraizada em nossa sociedade.

Contudo, faço questão de destacar que o número de vítimas de estupro é infinitamente superior aos dados apresentados em qualquer pesquisa ou levantamento feito por um órgão de pesquisa. Digo isso com base na minha experiência como psicólogo clínico e como cristão.

Há um número incontável de vítimas de estupro em nosso país que não faz parte de nenhum dado estatístico específico.

São as vítimas de abuso espiritual. 

Refiro-me a pessoas que não foram estupradas no corpo (às vezes até são), mas que foram estupradas na alma.




Vamos falar sobre abuso espiritual?

O número de vítimas de abuso espiritual no Brasil é incalculável. No meio evangélico há um alto índice de vítimas deste tipo de abuso. O crescimento do número de vítimas nesse determinado contexto religioso costuma ser até maior do que em outras religiões.


Continue a leitura para saber o que é o estupro na alma ou o abuso espiritual.


O que é o abuso espiritual?

É o uso da posição de liderança ou poder para seduzir, influenciar e manipular as pessoas a fim de alcançar interesses próprios.

O contexto religioso evangélico, na maioria das vezes, é muito propício para a prática desta violência, que pode ser comprada a um estupro físico. O líder se aproveita da ingenuidade, da sinceridade, da fé e do momento de fraqueza do fiel para abusar de sua boa vontade, beneficiando a si próprio. Como num estupro, a vítima de abuso espiritual se sente usada, violada, aviltada.

O abusador não respeita a privacidade e nem os limites da vítima enquanto ser humano. Alguns argumentos são utilizados no intuito de exercer controle e obter informações íntimas que favoreçam o esquema de manipulação.

O abuso espiritual normalmente atinge diversas esferas da vida, como a parte financeira, a saúde física e emocional, a família e a vida espiritual/ministerial. Normalmente os abusados são explorados, sendo coagidos a trabalhar exaustivamente na igreja de maneira voluntária, sendo induzidos a ofertar altos valores, obrigados a fazer sacrifícios e doutrinados a se submeterem incondicionalmente a autoridade do líder. 

Boa parte das vítimas costuma relatar a prática de uma obediência cega, abrindo mão de sua privacidade e da sua capacidade crítica.


O texto continua amanhã.


Retorne ao blog para ler a segunda parte em que abordarei o temaAbuso espiritual: danos, sintomas e tratamento”.



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