05 maio, 2016

O Deus-Pai e o Seu amor de Mãe

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Por Allan Felipe Freitas

Deus decidiu relacionar-se com a humanidade, a coroa da sua criação, por meio da figura paterna. Uma relação filial é muito superior a uma relação servo-Senhor. O filho tem acesso ao pai, tem intimidade com o pai, se sente a vontade na presença do pai, já o servo não tem condições de se sentir em paz na presença de seu Senhor.

Não quero com essas palavras anular o senhorio de Cristo, apenas quero usar o modelo de relação filho-Pai e de servo-Senhor como uma analogia. No entanto, o que exponho aqui possui embasamento bíblico, veja:

“A prova de que sois filhos é que Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai!
Portanto já não és escravo, mas filho. E, se és filho, então também herdeiro por Deus.”
(Gálatas 4.6-7)

Se a figura paterna representa proteção, autoridade e provisão, o que representaria a figura materna? A figura materna representa abrigo, colo, consolo, afeto, e, sobretudo, amor incondicional. Ora, se Deus é o nosso Pai, eu não tenho dúvidas em afirmar que o Seu amor paterno tem uma dimensão maternal.

O meu objetivo com este texto não é fortalecer estereótipos de papéis sociais exercidos por pai e mãe, mas sim propor uma leitura arquetípica de ambos.

Talvez não haja nada na terra que mais se assemelhe ao amor de Deus pela humanidade do que o amor que uma mãe tem por um filho.

A gestação de uma criança dura cerca de 9 meses. Ao término da gravidez o corpo da mãe já não é o mesmo. Os pés incham, normalmente a mulher não consegue reter a urina, o peso e a posição do bebê lhe trazem algumas dificuldades de locomoção de acomodação. Quando se aproxima o nascimento ocorre o rompimento da bolsa e a mãe sofre contrações.

Mães que tiveram seus filhos de parto normal relatam o quão terríveis são as dores de parto. Entretanto, a mãe que ama seu filho consegue superar todas as dificuldades de uma gravidez e todas as dores de um parto normal para poder ter a criança em seus braços. O prazer de cuidar daquele bebê recém-nascido supera todo o sofrimento.

Da mesma maneira, podemos pensar que Deus teve dores infinitamente maiores ao entregar o seu Filho por nós. Quando Cristo padecia na cruz do calvário Ele estava dando à luz a uma nova humanidade. Como uma mãe, o Deus Pai se contorcia ao ver o seu Filho amado sendo torturado, zombado, vilipendiado e morto brutalmente num madeiro.

Todavia as Escrituras Sagradas nos mostram que:

“Ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias; e o bom prazer do Senhor prosperará na sua mão.
Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniqüidades deles levará sobre si.”
(Isaías 53. 10-11)

Assim como uma mãe diz: valeu a pena, o Pai Celeste olha para nós e diz o mesmo. Quantas vezes ouvimos uma mãe relatar que passaria por todo o sofrimento do parto novamente pelo prazer de ter para si um filho amado? Da mesma maneira Deus, que não poupou o seu Filho, certamente faria tudo por amor novamente.

Ainda que as dores de parto sejam grandes, todavia, estas não superam o prazer e a alegria de ter um filho vivo e poder destinar a ele todo o amor maternal.

A cruz foi o parto, é por intermédio dela que fomos gerados no ventre de Deus. Desta forma, Deus derramou o seu amor perfeito, incondicional, eterno e infinito sobre nós (Rm. 5.5). Não há nada que façamos que altere para mais ou para menos o amor que o nosso Pai tem por nós.

O Deus-Pai não pauta a educação de seus filhos em métodos ultrapassados como a meritocracia, Ele faz uso de um método muito superior, a Sua preciosa graça.

A graça exclui o mérito e nos faz perceber que não merecíamos tamanho amor e tamanho sacrifício para nossa redenção e filiação. O método da graça é incompreendido por muitos, pois acham que ele gera acomodação. Muito pelo contrário. Não existe nada mais transformador e que motive um filho a mudança do que a genuína graça.

Quando erramos, o Deus-Pai se mostra como uma mãe que ao invés de querer bater no filho tenta compreendê-lo e da maneira mais doce possível o constrange, convencendo-o de que o que ele fez foi errado. Esse constrangimento é a via pela qual o filho aciona a mudança, ele fica tão sem graça de ter recebido afeto e atenção quando merecia uma surra que nunca mais quer tornar a fazer aquilo, pois sabe que o que fez entristeceu o coração de sua mãe, mas mesmo assim, ela continua o amando da mesma forma.

Assim é o amor de Deus.

“Porquanto o amor de Cristo nos constrange (...)”
(2 Coríntios 5.14)

O amor de Cristo no constrange e seu Espírito nos convence.

“Quando ele vier [o Espírito Santo, que já veio], convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo.”
(João 16.8)

“Porquanto, todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus.”
(Romanos 8.14)

Deus é incrível, ao mesmo tempo em que consegue suprir as nossas necessidades no que diz respeito à figura paterna, consegue demonstrar um amor maternal, sendo nosso pai e mãe concomitantemente.

“Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti.”
(Isaías 49.15)

Que nesse dia das mães todos aqueles que sofrem por não estarem com suas mães ou por terem tido mães que os decepcionaram possam ser consolados por Aquele que nunca nos esquece.


*O texto continua. Não deixe de voltar ao blog para ter acesso a esse conteúdo edificante e curador.


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