12 abril, 2016

O coração pastoral de Jesus (Conclusão)

jesus pastor
Por Allan Felipe Freitas

O pão é o alimento mais básico da pirâmide alimentar da maioria das civilizações até hoje. Pão representa alimento, vida, provisão. Jesus disse que Ele é o Pão da vida. Portanto, o pão também simboliza a Palavra de Deus.

De acordo com o nosso texto base (Marcos 6.31-44), mais precisamente no verso 41. Jesus toma os cinco pães e dois peixes, parte os pães e dá aos discípulos para que estes distribuam ao povo.

Esse acontecimento deixa evidente a lógica do Reino de Deus cuja matemática se expressa da seguinte maneira: Deus dá, nós dividimos e Ele multiplica.

Tudo o que há de bom vem do alto, do Pai das luzes. Ele nos envia tanto a provisão espiritual, como a provisão material. Todavia, sua provisão não visa a apenas o nosso benefício, mas pretende alcançar a outros.

Deste modo, aquilo que recebemos devemos passar a frente. Deus nos abençoa para que tenhamos condições de compartilhar, de repartir, e, a medida que repartimos Ele opera o milagre da multiplicação.

Isso se aplica tanto a bens materiais quanto a revelação da palavra de Deus. Tudo aquilo que Deus te envia e você reparte, pode ter certeza, Ele irá multiplicar, irá enviar mais ainda.

Sendo assim, toda revelação que recebemos de Deus, devemos passar adiante.

Observe as palavras do Apóstolo Paulo:

“Pois o que primeiramente lhes transmiti foi o que recebi.”
(1 Coríntios 15.3)

Querido pastor, não despreze o seu rebanho. Não deixe de ministrar ao “seu povo” uma palavra mais consistente por achar que eles não possuem a capacidade intelectual de assimilar. Lembre-se, as ovelhas que estão debaixo dos teus cuidados possuem a mente de Cristo.

Doravante, considero valida e pertinente a reflexão a seguir:

O que acontece se guardarmos um pão durante dias e não o consumir? Cria-se bolor, mofo e estraga. Não dá para consumir um pão nesse estado.

Se você ficar guardando aquilo que Deus tem te dado, uma hora, não vai servir mais, assim como o pão bolorento. Há pessoas as quais Deus derrama ricas bênçãos, porém guardam apenas para si. Pode ser que em algum momento Deus feche a torneira, visando tratar com o egoísmo dos quem assim agem.

Se tem alguma coisa que não combina com o ministério pastoral é o egoísmo.

Infelizmente vivemos num tempo que muitos ditos pastores estão apascentando a si mesmo, tendo como preocupação unicamente a lã das ovelhas.

“Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza, e dize aos pastores: Assim diz o Senhor DEUS: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não devem os pastores apascentar as ovelhas?
Comeis a gordura, e vos vestis da lã; matais o cevado; mas não apascentais as ovelhas.
As fracas não fortalecestes, e a doente não curastes, e a quebrada não ligastes, e a desgarrada não tornastes a trazer, e a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza. Assim se espalharam, por não haver pastor, e tornaram-se pasto para todas as feras do campo, porquanto se espalharam.”
(Ezequiel 34.2-5)

Amado pastor, você foi incumbido da missão de alimentar as ovelhas que estavam sem pastor. Sua vida deve servir de exemplo e inspiração. Sua missão é ensinar o evangelho ao povo que Deus lhe confiou de modo que estes aprendam a repartir o seu próprio pão.

A pedra é a antítese do pão. Um pastor genuíno não anda com pedras na mão, mas com pão para dar a quem vier. O amor que Deus coloca em seu coração faz com que sempre tenha algo a compartilhar. A pedra é usada para ferir, para condenar, para amaldiçoar. Já o pão é usado para acolher, para alimentar, para comemorar, para abençoar.

O coração pastoral de Jesus é um coração humano, um coração de carne.

Metaforicamente falando, aquilo que eu tenho em minhas mãos determina de qual propriedade se constitui o meu coração. Se eu ando com pedras na mão, logo, tenho um coração de pedra. Se eu ando com pães na mão, visando abençoar o meu próximo, logo meu coração é de carne.

Só quem tem um coração de carne pode se compadecer da situação alheia, pode mover-se em direção ao cativo, ao oprimido, ao perturbado, ao necessitado e estender-lhe a mão.

Repare na promessa feita em Ezequiel:

“Também vos darei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne.”
(Ezequiel 36.26)

O coração de pedra representa a dureza da lei, o coração de carne representa a humanidade da graça expressa em Cristo Jesus. O coração de pedra representa o egoísmo e a vaidade humana, o coração de carne representa a misericórdia e a compaixão que pulsão no interior de quem ama.

Somente com um coração de carne podemos cumprir o que está escrito no livro de Isaías:

“O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas-novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; a apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes; a ordenar acerca dos que choram em Sião que se lhes dê uma grinalda em vez de cinzas, óleo de gozo em vez de pranto, vestidos de louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem árvores de justiça, plantação do Senhor, para que ele seja glorificado. E eles edificarão as antigas ruínas, levantarão as desolações de outrora, e restaurarão as cidades assoladas, as desolações de muitas gerações.
(Isaías 61.1-4)

O coração pastoral é um coração cheio de amor. O amor é a maior evidência do real batismo com o Espírito Santo. A doçura do cristão é a marca de que, o Espírito que um dia ressuscitou Jesus dentro os mortos, habita nele.

“(...) porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.”
(Romanos 5.5)

Sem o alicerce do amor não há como falar de Pentecostes, não há como falar de poder de Deus, de dons espirituais e nada do tipo, porque Deus não deseja derramar o seu Espírito sobre uma raça de desalmados.

Aquilo que não tem sua origem no amor tem prazo de validade, é pura vaidade, isto é vai com o tempo. O amor é o certificado de legitimidade e de eternidade.

Sem amor corre-se o risco de pregar o evangelho com segundas intenções, com outros interesses, que não o de ver o reino de Deus se expandir e as pessoas conhecendo a verdade que liberta. É o que Paulo disse:

“Verdade é que alguns pregam a Cristo até por inveja e contenda, mas outros o fazem de boa mente;” (Filipenses 1.15)

Em suma, ao apregoar o evangelho estamos distribuindo o pão, e assim, Cristo vai multiplicando, de modo, que este alimento vai alcançando a muitos e muitos, passando de um para o outro. Este é o ciclo natural de expansão e crescimento da Igreja de Cristo, ou, da Igreja invisível, como Lutero gostava de chamar.

Ao término da história, vemos o seguinte:

“E todos comeram e se fartaram.
Em seguida, recolheram doze cestos cheios dos pedaços de pão e de peixe.
Ora, os que comeram os pães eram cinco mil homens.”
 (Marcos 6.42-44)

Após alimentar toda a multidão, curiosamente sobraram 12 cestos cheios de pão e de peixe, ou seja, 1 cesto para cada discípulo.

Isso me faz lembrar dois trechos das escrituras. Cito-os abaixo.

“Tornou Jesus: Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos, por amor de mim e por amor do Evangelho, que não receba já no presente o cêntuplo de casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições; e no mundo vindouro a vida eterna.”
(Marcos 10.29-30)

“Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor.”
(1 Coríntios 15.58)

Deus é um Deus galardoador daqueles que o buscam. Ele sabe muito bem como nos recompensar. Contudo, ninguém deve almejar o episcopado (como escreveu Paulo a Timóteo) visando esta recompensa.

Entretanto, aquele que renuncia sua vida para servir ao próximo, aquele que atende ao chamado de Deus certamente irá desfrutar do prazer e da satisfação de poder se sentir útil. Sendo assim, poderá sentir-se participante do plano de Deus, ver-se-á desempenhando a função pela qual foi eleito antes da fundação do mundo, sendo bênção na vida de muitos.

Estas são recompensas que não se pode comprar. Ver vidas restauradas, pessoas libertas, transformadas e saber que você foi o instrumento que Deus usou você para realizar tal obra.

A minha oração é que Deus levante neste tempo pastores que se inspiram em Cristo, que tenham Nele a referência de como desempenhar um ministério segundo a vontade de Deus. Almejo por ver homens e mulheres portando um coração pastoral tal como o de Jesus, servindo em amor às ovelhas, apascentando o rebanho de Deus, cuidando daquilo que é mais precioso para Deus, as almas por quem o sangue de seu Filho Jesus foi derramado.

Espero que estas linhas possam ter mínimamante te abençoado e contribuído com o teu ministério.


Graça e paz!


OBS: Este artigo é a conclusão de uma série de textos, recomendo a leitura das partes anteriores para uma melhor compreensão. Você pode acessar cada parte clicando sobre: Parte 1  -  Parte 2  -  Parte 3  -  Parte 4.



Comente com o Facebook:

0 comentários:

Postar um comentário

Invista em você

Invista em você
© Evangelho Sem Censura 2012 | Blogger Template by Enny Law - Ngetik Dot Com - Nulis