31 março, 2016

O coração pastoral de Jesus (Parte 4)

Jesus pastor, bom pastor, coração pastoral de Jesus
Por Allan Felipe Freitas

Nenhum milagre de Jesus foi realizado porque este tinha como interesse a demonstração de poder, sua auto-afirmação ou mesmo a busca de glória para si. Os milagres de Jesus não eram um fim em si, mas um meio pelo qual o ungido de Deus se utilizava para abençoar as pessoas que sofriam.

Este artigo faz parte de uma série de textos cujo título é “O coração pastoral de Jesus”. Caso queira ler as partes anteriores para ter uma melhor compreensão basta clicar sobre o número da parte. Parte 1  -  Parte 2  -  Parte 3.

Continue lendo e seja edificado.

Todo milagre feito por Jesus era motivado por compaixão. “E compadeceu-se deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor” (Marcos 6.34). Jesus não curava ninguém em busca de fama. Pelo contrário, quase toda vez que alguém era curado o Mestre pedia descrição. Veja um exemplo:

“Em seguida Jesus lhe disse: "Olhe, não conte isso a ninguém. Mas vá mostrar-se ao sacerdote e apresente a oferta que Moisés ordenou, para que sirva de testemunho.”
(Mateus 8.4)

Da mesma forma se sucedia quando Cristo expulsava algum demônio. Ele não fazia daquilo um espetáculo, não expunha a pessoa que estava sendo oprimida por espíritos imundos a certas práticas tão comuns hoje no meio de algumas igrejas. Infelizmente hoje vemos pastores se aproveitando do fato de alguém estar possesso para entrevistar o demônio, mandar ajoelhar, cruzar os braços, deitar e rolar. Totalmente desnecessário.

Não vemos em nenhum momento Jesus adotando esse tipo de prática. Ele expulsava os demônios e não permitia que o seu nome fosse exposto à publicidade.

“Também os espíritos imundos, quando o viam, prostravam-se diante dele e exclamavam: Tu és o Filho de Deus! Mas Jesus lhes advertia severamente que o não expusessem à publicidade.”
(Marcos 3.11-12)

É triste ligar a televisão e constatar que alguns líderes estão armando verdadeiros circos em torno da expulsão de demônios, isto quando a manifestação demoníaca não é forjada. O mesmo acontece quando alguém é curado. Gritam aos quatro cantos que a pessoa foi curada ali e fazem a questão de destacar que a cura aconteceu porque o ex-enfermo foi até aquela igreja, porque só aquela igreja faz milagre.

Dito isso, prosseguiremos para uma análise da primeira multiplicação de pães e peixes. Como fiz questão de frisar, o que motivou Jesus para realizar tal milagre foi a compaixão.

Repare, após ensinar o Reino de Deus, curar e libertar (esta é a ordem e não o inverso), Jesus percebe que a multidão está num lugar árido e distante, e que a noite se aproximava. Certamente Ele via nos olhares e nas expressões faciais daquele povo a fome que sentiam.

Isso demonstra que Cristo se preocupa com cada uma das nossas necessidades, não só as espirituais, mas também as naturais. O evangelho de Jesus é integral, isto é, abrange o homem em sua totalidade.

Percebo que muitos estão pregando por aí um evangelho “Gasparzinho”, que só se preocupa com a salvação da alma das pessoas. Acreditam que a única tarefa da igreja seja anunciar a salvação, agora, se aquele a quem se anuncia a salvação estiver passando necessidades, esta parte não é de competência da igreja.

A pregação de um evangelho fatiado, dividido, além de produzir sérias deformidades espirituais não produz transformação nas famílias e nem nas comunidades as quais a igreja alcança.

Não é isso que vemos em Jesus.

“Naqueles dias, quando outra vez se reuniu grande multidão, e não tendo eles o que comer, chamou Jesus os discípulos e lhes disse: Tenho compaixão desta gente, porque há três dias que permanecem comigo e não têm o que comer. Se eu os despedir para suas casas, em jejum, desfalecerão pelo caminho; e alguns deles vieram de longe.”
(Marcos 8.1-3 – passagem referente à 2ª multiplicação de pães peixes)

É notória a preocupação de Jesus em alimentar àquelas pessoas. Porém, de onde viria o recurso para a realização de tal milagre? Somente no evangelho de João aparece a figura de um rapaz que portava 5 pães e dois peixinhos.

“Está aqui um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas que é isto para tantos?”
(João 6.9)

Aquele rapaz foi o ponto de partida para que houvesse a operação da maravilha que todos conhecemos. Certamente esse jovem havia saído de casa para passear ou para trabalhar e levava 5 pães e dois peixinhos em sua marmita para lhe servir de refeição, era tudo o que ele tinha. No entanto, ele não guardou para si.

Ele entregou tudo o que tinha nas mãos do Mestre. Ele se dispôs. Deus não está à procura de gente capacitada, porque tudo que Ele precisa para fazer a sua obra é de disponibilidade. Alguém que se disponha a ir, a fazer, a deixar-se gastar por amor.

A atitude desse rapaz nos mostra o seu desprendimento, o seu desapego e a sua confiança em Jesus. Também nos serve de lição para demonstrar que devemos servir a Deus também com os nossos bens.

Lembro-me do dono da Jumentinha na qual Jesus entrou em Jerusalém saudado por Hosanas. A passagem bíblica nos conta que Jesus enviou os seus discípulos para buscar a Jumentinha em determinada localidade e que se alguém perguntasse o que estavam fazendo deveriam dizer: O Mestre precisa dela.

Creio piamente que Jesus conhecia o coração do dono daquela Jumentinha e que este tinha um coração semelhante a do rapaz dos pãezinhos. Não considerava nada como sendo seu.

Ambos os exemplos nos ensinam que devemos servir a Deus com tudo o que temos, todos os nossos recursos devem estar à disposição da obra D’Ele.

A figura que representa a antítese daquele rapaz é a do jovem rico. Um homem de posses, muito rico que quis aparecer para Jesus. Alguém que se gabava de ser zeloso guardador da lei desde a sua tenra infância.

Contudo o seu coração estava apegado as riquezas. Jesus chega e lhe faz um desafio: Vai, vende o que tens de dê aos pobres. Aquilo foi demais para ele. E nunca mais se ouviu falar dele.

Então, é chegada a hora. A hora da execução do milagre, a hora em que o sobrenatural acontece...

“Tomando ele os cinco pães e os dois peixes, erguendo os olhos ao céu, os abençoou; e, partindo os pães, deu-os aos discípulos para que os distribuíssem; e por todos repartiu também os dois peixes.”
(Marcos 6.41)

Jesus designou aos discípulos a função de distribuir os pães para a multidão. Os discípulos foram os responsáveis por levar o pão a cada um.

Só esse detalhe representa muita coisa. E é sobre isso que a quinta e conclusiva parte desta série abordará na seguinte postagem.

Não deixe de retornar ao blog em breve para ter acesso a este conteúdo sobremodo edificante.

Até breve!



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