08 março, 2016

A diferença entre fé e cara-de-pau

Por Irmão Leo

Nas próximas linhas transcrevo uma experiência pessoal, que espero poder edificar sua vida.

Tenho na área da casa onde moro, uma escada muito antiga e enferrujada. Falei com o proprietário do imóvel para removermos ela de lá, porém temos que juntar dinheiro para fazer uma obra e enquanto isso, ela vai ficando.

Meados de Fevereiro de 2016, em um belo final de semana ensolarado, eu e minha esposa estávamos armando nossa piscina ao lado desta escada. Em um descuido de minha parte, bati com as costas em um dos degraus dela. Fez um grande hematoma e sangrou um pouco.

Após fazer a assepsia do ferimento, fui verificar minha carteira de vacinação. Você sabe onde a sua está? Se não, recomendo fortemente que pare o que está fazendo e procure-a.

Depois de 3 horas de buscas e com a casa de cabeça para baixo, pude me certificar que minha anti-tetânica estava vencida. O reforço era para ter acontecido em 2013.

Liguei para o UPA próximo da minha casa e descobri que meu caso não era de urgência e teria que esperar até segunda-feira para ir à algum posto de saúde.

Fiquei preocupado, pela seriedade do tétano. Pensei em ir num hospital público, mas achei que iria ser uma viagem perdida.

Não teve jeito, na segunda-feira, saí do meu trabalho na hora do almoço e fui ao posto próximo. Lá chegando, fui logo informado pela enfermeira que a anti-tetânica estava em falta na rede nacional. Aquela notícia me caiu como uma bomba. Voltei rapidamente para meu trabalho e comecei a ligar para todos os lugares: canais da rede municipal de saúde, diversos postos de saúde, hospitais estaduais e federais, hospitais universitários e nada. Os locais que tinham, só aplicavam nos casos graves e gestantes.    

Tentei então na rede particular, onde consegui agendar um lugar para tomar a vacina naquele mesmo dia, o que me custaria duzentas dilmas e algumas horas de viagem até o local.

Um pouco mais calmo, comecei a conversar com algumas pessoas sobre o acontecido. Uma delas, enfermeira, pediu para ver o machucado. Eu mostrei e ela comentou: “Não está inflamado e como já se passaram as primeiras 24 horas sem você sentir nenhuma reação, tem uma alta probabilidade de isso não ser nada demais, além do mais, tenha um pouco de fé, vai ficar tudo bem.”.

Isto partindo de um profissional de saúde, me trouxe mais tranquilidade. Inclusive porque esta pessoa fez o possível e o impossível para me ajudar a conseguir uma vacina na rede pública.

Decidi que ainda iria tomar a vacina porque, de qualquer maneira, já estava vencida a 3 anos e eu estava descoberto.

No caminho para a clínica de vacinação, fui pensando sobre tudo que estava acontecendo e no que podia tirar de ensinamento de Deus para minha vida.

“Tenha um pouco de fé, vai ficar tudo bem.”, esta frase soava na minha cabeça. Alguma coisa não estava se encaixando. Estaria eu dando um mal testemunho ficando preocupado com a situação?

Lembrei de Jesus e da tentação do pináculo do templo:

 “Então o diabo o transportou à cidade santa, e colocou-o sobre o pináculo do templo,

E disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te de aqui abaixo; porque está escrito: Que aos seus anjos dará ordens a teu respeito, E tomar-te-ão nas mãos, Para que nunca tropeces com o teu pé em alguma pedra.

Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus.”

Mateus 4:5-7

Fiquei pensando por mais um tempo e me veio outra passagem à memória:

“Os que ouviram isso perguntaram: “Então, quem pode ser salvo? “

Jesus respondeu: “O que é impossível para os homens é possível para Deus”.”

Lucas 18:26,27

É realmente ótimo saber que o que não nos é possível realizar neste tempo-espaço, Deus consegue nos suprir e realizar por nós e para nós. Agora, e o que nos é possível? E não só possível, mas nossa responsabilidade?

Acredito que Deus tenha uma profunda misericórdia pela ignorância e desconhecimento humanos. Mas e o nosso esquecimento? O nosso desleixo? A nossa falta de zelo?

Convenci-me que eu não estava tendo falta de fé, mas sim uma reação a minha própria falta de zelo com a minha saúde.

Deus tem e sempre terá papel fundamental no nosso existir, no nosso respirar, na manutenção da vida até nosso último dia na Terra.

“As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim;

Novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade.”

Lamentações 3:22,23

Mas os nossos pensamentos, nossas escolhas, atitudes, são nossa responsabilidade. Não podemos transferir isso para Deus.

Entendi que o fato da escada ainda estar lá toda enferrujada, montar a piscina ao lado dela, tomar a vacina na data certa, eram todas responsabilidades minhas. Um ato covarde transferir isto para o campo da espiritualidade. Seria como pular do pináculo.


Orei a Deus pedindo a ajuda dele para não ter entrado nenhuma bactéria no meu organismo, pedindo para meu corpo reagir corretamente à vacina para produzir anti-corpos e principalmente para, independente de qualquer coisa, não permitir que minha fé diminua sob nenhuma circunstância.


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