22 fevereiro, 2016

O limiar entre a prosperidade de Deus e a prosperidade dos homens

Por Leonardo Geranio

    Leitura

Não tentareis o Senhor vosso Deus, como o tentastes em Massá;

Diligentemente guardareis os mandamentos do Senhor vosso Deus, como também os seus testemunhos, e seus estatutos, que te tem mandado.

E farás o que é reto e bom aos olhos do Senhor, para que bem te suceda, e entres, e possuas a boa terra, a qual o Senhor jurou dar a teus pais.

Para que lance fora a todos os teus inimigos de diante de ti, como o Senhor tem falado.” 
(Deuteronômio 6:16-19)

    Reflexão

Numa primeira leitura despretensiosa, podemos ter a impressão de que esta passagem relata um Deus meritocrático. Parece que, se fizermos tudo direitinho, “como manda o figurino”, teremos o melhor de Deus para nós. Caso contrário, seremos punidos com a ira divina.

Para podermos ler a passagem acima sem cairmos em nenhum erro, temos que atualizá-la para os dias de hoje.

Qualquer um que se apodere desta passagem e traga uma linha de raciocínio de que Deus está sentado num trono celeste, nos observando e, baseado nas nossas ações, em nosso comportamento, em nossa obediência, irá agir em nosso favor ou contra nós, está sem sombra de dúvidas pregando um evangelho contrário a Graça de Deus manifestada em Jesus Cristo, o Nazareno. Ou, como diria Paulo: “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema." Gálatas 1:8”.

Como podemos nós, atualizar a passagem que lemos para os nossos dias?

Ora, comecemos pela primeira linha:

“Não tentareis o Senhor vosso Deus, como o tentastes em Massá;”

A primeira pergunta que vem em minha mente é, o que é ou onde é Massá?

Os israelitas acamparam em Redefim, na jornada que fizeram, relatada em Êxodo.

Massá é um dos lugares perto de Refidim, onde receberam um milagroso suprimento de água.

“E chamou aquele lugar Massá e Meribá, por causa da contenda dos filhos de Israel, e porque tentaram ao Senhor, dizendo: Está o Senhor no meio de nós, ou não?” Êxodo 17:7

Para adotarmos esta passagem sem atualizá-la para nosso tempo-espaço, temos que ter tentado Deus como mostra a história. Eu e, provavelmente você nunca nem estivemos em Massá.

Claro que isto não significa que nunca tentamos Deus em nossos corações. E o tentar/duvidar aqui, não é aquele duvidar infantil de uma criança que não acredita quando o pai diz que ele é o papai noel. Tentar a Deus significa desconfiança consciente. Uma desconfiança de adulto para adulto, uma desconfiança que gera no coração de quem o faz, uma raiz má. Como o marido que desconfia que a esposa o trai, como o patrão que desconfia que seu empregado o rouba, como o pai que desconfia que seu filho se droga. Podemos dizer que, os israelitas, mesmo vivendo tudo que viveram na fuga do Egito, não confiavam em Deus.

Esta frase pode ficar atualizada de maneira apropriada quando olhamos para Jesus no deserto no seguinte momento:

“Levou-o também a Jerusalém, e pô-lo sobre o pináculo do templo, e disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo;

Porque está escrito: Mandará aos seus anjos, acerca de ti, que te guardem,

E que te sustenham nas mãos, Para que nunca tropeces com o teu pé em alguma pedra.

E Jesus, respondendo, disse-lhe: Dito está: Não tentarás ao Senhor teu Deus.”
(Lucas 4:9-12)

Jesus está respondendo ao tentador, que confia em Deus. Não precisa de provas, de notas-fiscais divinas. Deus não precisa provar nada para ninguém, nem mesmo para Jesus.

Agora sim, não precisamos olhar para Massá. Em Jesus, temos a transcendência de um simples lençol freático descoberto por instruções divinas, para uma fé, uma certeza absoluta, que Deus tem cuidado de mim e de você. Sem espetáculos, sem sobrenatural ou qualquer outra necessidade de prova. Ele nos ama, Ele cuida de nós e isto nos basta.

A segunda frase é:

“Diligentemente guardareis os mandamentos do Senhor vosso Deus, como também os seus testemunhos, e seus estatutos, que te tem mandado.”

Neste momento, o escritor está claramente se referindo aos mandamentos de Deus entregues a Moisés e escritos nas Tábuas da Lei.

Para nós, cristãos do século XXI, trazer a tona a lei de Moisés não faz sentido, visto que não somos judeus, mas gentios, alcançados pelo sangue de Cristo vertido na Cruz do Calvário. A morte e ressurreição de Cristo não nos torna judeus, mas santos.

O que me chama atenção de imediato nesta frase é a presença da palavra “diligentemente”. Mesma palavra que Herodes usa com os magos do oriente. Significa fazer algo de forma dedicada, sem demora, com zelo.

Cristo no sermão do monte, mostra como sermos diligentes com as questões do Reino de Deus. Nos ensina como jejuar, como orar e como fazer caridade. Neste sermão, Ele ressignifica a importância da Lei e dos profetas até aquele momento e contextualiza como será dali pra frente, visto que o messias prometido havia enfim chegado.

Temos sim que guardar os mandamentos de Deus, e Cristo personificou todos eles.

Jesus termina o sermão, dizendo que quem ouve as Suas palavras e as pratica, é semelhante ao homem prudente que edificou sua casa sobre a rocha. Procedendo desta maneira, estamos agindo de acordo com Deuteronômio 6:17.

O próximo versículo diz:

“E farás o que é reto e bom aos olhos do Senhor, para que bem te suceda, e entres, e possuas a boa terra, a qual o Senhor jurou dar a teus pais.”

Bem, neste ponto, parece termos uma “sinuca de bico divina”. Como devemos interpretar esta frase?

Sabemos que ela se dirigia aos israelitas que rumavam para a terra prometida. Eram peregrinos e almejavam encontrar o local que havia sido preparado. Seria prudente dizer algo como, “se fizermos o que Deus manda, ganharemos uma casa ou um bom emprego?”.

Temos neste dado momento histórico, um povo nascido escravo e peregrino no deserto por 40 anos. Um povo sem identidade, sofrido, abatido, que foi milagrosamente suprido durante todo este tempo. O que eles já haviam experimentado de Deus até aquele momento, era muito superior a qualquer casa ou emprego. Fazer esse tipo de comparação é não ter o mínimo de respeito pela mensagem do Evangelho de Cristo.

Eles estavam numa situação de vida ou morte. Ou obedeciam Deus e sobreviviam as adversidades do tempo, dos perigos da jornada e em suas prórprias relações como povo ou iriam sucumbir rapidamente.

Novamente vamos olhar para Cristo e ver o que Dele podemos tirar de lição e ensino:

“Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo.

Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus;

Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos.

Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo?

E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim?

Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus.” 
(Mateus 5:43-48)

Perfeição tem haver diretamente com Amor. João mais a frente vai dizer que quem ama conhece a Deus e é nascido de Deus.

Fazer o que é bom e reto aos olhos de Deus é viver o amor que Cristo nos ensina.

Mas, agindo assim, qual bem irá nos suceder? E qual terra iremos possuir?

Nós não estamos atrás da terra prometida aos israelitas. Ela já foi dada a eles, eles já a ocuparam e ainda vivem lá nos dias de hoje.

“Não se perturbe o coração de vocês. Creiam em Deus; creiam também em mim.

Na casa de meu Pai há muitos aposentos; se não fosse assim, eu lhes teria dito. Vou preparar-lhes lugar.

E se eu for e lhes preparar lugar, voltarei e os levarei para mim, para que vocês estejam onde eu estiver.” 
(João 14:1-3)

A terra prometida aos judeus só pode e deve ser comparada a Nova Jerusalém prometida por Cristo a todos aqueles que nascerem de novo da água e do Espírito.

Desta maneira podemos atualizar corretamente esta passagem. Se é isto que eu e você esperamos do Senhor, certamente teremos.

Como último, temos:

“Para que lance fora a todos os teus inimigos de diante de ti, como o Senhor tem falado.”

Mais uma vez aqui, não podemos fazer comparações com aquilo que nosso “eu interior” gostaria. Não podemos dizer que Deus aniquilará o fulano que não gosta de mim, o ciclano que me persegue no trabalho ou nada semelhante. Até mesmo porque já vimos que temos que amar quem nos persegue e nos maltrata.

Não temos outro inimigo declarado no Novo Testamento se não o tentador de Jesus no deserto, o adversário do amor que não possúi nenhuma raiz de verdade. Este mesmo inimigo, Cristo já o despojou e o venceu na Cruz do Calvário.


Esta passagem de Deuteronômio, traz muita sabedoria para nós nos dia de hoje se soubermos ler com a luz que nos ilumina que é Cristo Jesus e com o discernimento dado pelo Espírito Santo de Deus.


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