02 janeiro, 2016

José do Egito, um exemplo de resiliência

José do Egito
Por Allan Felipe Freitas

O termo resiliência está muito em voga. Ouve-se muito esta expressão no meio empresarial, nos treinamentos, nas sessões de coaching e em entrevistas contidas em diversos programas e jornais que circulam pelas mídias.

Resiliência é um termo oriundo da Física que a Psicologia se apropriou para explicar a capacidade humana de superar obstáculos e adversidades.

Segundo a Física, resiliência é a propriedade que alguns corpos apresentam de retornar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação elástica. Para a  Psicologia, o termo significa a capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças.

O livro de Gênesis, no Antigo Testamento, retrata a história de uma das figuras mais emblemáticas de toda a Bíblia, certamente um dos maiores exemplos de resiliência expressos nas escrituras sagradas, José, filho de Jacó.

Toda criança criada na igreja conhece essa história. Tal narrativa já foi reproduzida no cinema, na teledramaturgia e em desenhos animados. Acredito que você também conheça a história, mesmo assim, segue abaixo uma breve sinopse.

José, um menino sonhador, o mais novo de todos os irmãos, amado por seu pai e sua mãe, filho da velhice de ambos, aquele que ganhara uma túnica de várias cores e que teve dois sonhos bastante significativos.

Por causa destes sonhos, a ira de seus irmãos se ascendeu contra ele. Os sonhos representavam José em posição de honra e seus irmãos e seus pais prostrando-se diante dele, o reverenciando.

Certa vez, o jovem foi em busca de seus irmãos no campo, a pedido de seu pai, contudo, os irmãos estavam planejando uma cilada para verem-se livre daquele que era motivo da sua inveja.

José foi jogado num buraco e vendido como escravo, os irmãos pegaram as vestes do caçula, mataram um animal e mancharam a túnica de sangue para forjar um ataque de uma fera. Feito isso, levaram a túnica para Jacó que se debulhou em lágrimas, pensando que filho havia morrido.

O jovem israelita foi parar no Egito como escravo, mas logo se destacou por sua astúcia e habilidades diferenciadas. Passado um tempo, foi posto como administrador da casa de Potifar. José era o homem de confiança de Potifar, tudo o que ele tinha estava nas mãos de José.

De repente, a mulher de Potifar começou a se engraçar para o lado de José, que temente a Deus e fiel a seu senhor, recusou relacionar-se com a digníssima. Todavia, certo dia, a mulher de Potifcar tentou seduzi-lo, mas José, fiel aos seus princípios, correu, porém a mulher conseguiu rasgar suas vestes e logo gritou aos soldados para que pegassem o jovem, alegando que o egípcio havia tentado abusar dela.

José vai preso. Na prisão ganha confiança do carcereiro e fica como responsável por cuidar das celas e dos presos. Era respeitado por todos ali. Junto com ele estavam presos dois servos do rei. Ambos tiveram sonhos e vendo um deles aflito José pediu para que contasse o sonho para que o interpretasse. Ao interpretar o sonho José conta que este seria reconduzido ao seu posto diante do rei e pede para que não esqueça dele ao retornar ao palácio.

José também interpretou o sonho do outro serviçal, porém, esta interpretação aponta pra um final trágico. Assim como José disse aconteceu, mas o servo que voltou para seu posto junto ao rei se esqueceu de José.

Até que um dia, o rei teve um sonho e ninguém foi capaz de dar a sua interpretação. Logo, lembraram-se de José e o puseram na presença de faraó. José interpreta o sonho e dá a solução para o problema.

Segundo José, no sonho o rei via vacas gordas e vacas magras, as vacas gordas representariam 7 anos de fartura, já as magras, 7 anos de escassez.

Faraó decide então, colocar José acima de todos no Egito, abaixo apenas dele. José passa a administrar a produção de modo que nos anos de crise haja mantimento o suficiente para o sustento do Egito e para vender aos outros povos.

Quando a crise chegou à casa de Jacó, seus filhos tiveram que subir ao Egito para comprar comida, então uma comitiva com os irmãos José chegou diante dele para comprar mantimentos. Então, é chegado o grande momento do reencontro de José com seus algozes. (Até aqui).

Agora, vamos refletir um pouco sobre tudo o que José passou.

Primeiro, a rejeição dos irmãos. Penso que mesmo antes de ter sido vendido José era rejeitado pelos irmãos, era vítima de certa hostilidade e inveja. Menino sonhador, não encontrava apoio em ninguém para realizar seus sonhos, pelo contrário, só encontrava palavras de desmotivação.

Ainda adolescente é capturado pelos irmãos e vendido como escravo. Em terra estranha teve que se adaptar aos costumes e a cultura do Egito que eram bem diferentes de como havia sido criado. Trabalhando duro sem ter retorno algum, José tinha todos os motivos do mundo para reclamar, para murmurar, para amaldiçoar sua família. No entanto, durante os capítulos que descrevem a sua biografia, não encontramos uma palavra de murmuração, José não dá um aí.

Com tudo isso, consegue se destacar, mas logo vem outro balde de água fria, é preso injustamente. Na prisão consegue se sobressair e de lá é exaltado diante de todos no Egito.

Só mesmo sendo muito resiliente para conseguir suportar tudo isso e ainda dar a volta por cima. José teve que enfrentar muita coisa para chegar aonde chegou: medo, raiva, rejeição, injustiça, escravidão, traição, opressão, prisão, vergonha, humilhação, solidão, angústia, hostilidade, infidelidade e etc.

O que mais me impressiona nesta história é a reposta que ele dá a seus irmãos após revelar a sua identidade a eles. É preciso ter muita resliência e muita confiança em Deus para proferir aquelas palavras! Veja:

“E disse José a seus irmãos: Peço-vos, chegai-vos a mim. E chegaram-se; então disse ele: Eu sou José vosso irmão, a quem vendestes para o Egito. Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos pese aos vossos olhos por me haverdes vendido para cá; porque para conservação da vida, Deus me enviou adiante de vós. Porque já houve dois anos de fome no meio da terra, e ainda restam cinco anos em que não haverá lavoura nem sega.
Pelo que Deus me enviou adiante de vós, para conservar vossa sucessão na terra, e para guardar-vos em vida por um grande livramento. Assim não fostes vós que me enviastes para cá, senão Deus, que me tem posto por pai de Faraó, e por senhor de toda a sua casa, e como regente em toda a terra do Egito.”
(Gênesis 45.4-8)

Após tudo o que passou José consegue extrair algo de bom de toda a sua experiência, que tinha tudo para ser traumática. Isso nos faz refletir sobre a nossa percepção sobre a vida e os fatos que nos acontecem. A nossa resiliência vai depender muito da maneira como percebemos cada acontecimento, o nosso ponto de vista nos dará condições para suportar ou não determinadas adversidades.

José conseguiu no meio de tanta coisa ruim que lhe sucedeu encontrar um propósito. José vislumbrou o propósito de Deus para tudo aquilo que passou. Parece que ele já tinha conhecimento daquilo que o Apóstolo Paulo escreveu muitos anos depois.

“E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.”
(Romanos 8.28)

Podemos aprender muito com José. Ao olhar para nossas condições, nossas dificuldades e todas as lutas que temos que enfrentar, dificilmente poderemos afirmar que aquilo que nos aflige tem a dimensão daquilo que afligiu a José. Por isso, podemos assim como ele perceber que Deus é quem está conduzindo a nossa história, que o Seu propósito eterno coopera para o nosso bem.

De fato, na maioria das vezes que as coisas aparentemente más nos acontecem, não conseguimos perceber que elas podem ser para o bem ou mesmo que Deus está naquilo, mas com o passar do tempo podemos como José ver Deus nos guiando em seus propósitos mesmo em meio a águas turbulentas.

A fé em Cristo e a compreensão de um propósito (como demonstrado acima) são dois alicerces básicos para a manutenção da resiliência.

Creio que não há combustível maior para a resiliência do que a fé. Uma fé alicerçada em Cristo nos dá condições de suportarmos dores e adversidades, nos torna resilientes assim como José.


Que Deus vos abençoe!


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