30 janeiro, 2016

Jejum ou greve de fome?

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Por Allan Felipe Freitas

Jejum é sempre um tema polêmico, há quem seja a favor e também há quem seja contra. A prática do jejum é comum em algumas religiões além do judaísmo e do cristianismo, também faz parte da preparação para alguns exames médicos, como o exame de sangue, por exemplo.

O jejum basicamente é compreendido como a abstenção de alimento durante certo período de tempo. Atualmente vemos esta prática sendo defendida por muitos como sendo uma disciplina espiritual na qual aquele que a pratica consagra sua vida a Deus, ou, por intermédio de tal prática mortifica a sua carne.

É super comum ouvir em igrejas evangélicas o termo jejum associado ao termo propósito. A pessoa marca um horário no qual para de se alimentar, ali ela abre o propósito, então, fica sem comer até o horário definido, chegando a este horário, faz-se uma oração entregando o propósito.

Não é que a grande questão a cerca do jejum gira em torno do propósito! Qual o propósito para o seu jejum? O que o motiva?

Veja um exemplo:

“Dizendo: Por que jejuamos nós, e tu não atentas para isso? Por que afligimos as nossas almas, e tu não o sabes? Eis que no dia em que jejuais achais o vosso próprio contentamento, e requereis todo o vosso trabalho.
Eis que para contendas e debates jejuais, e para ferirdes com punho iníquo; não jejueis como hoje, para fazer ouvir a vossa voz no alto.
Seria este o jejum que eu escolheria, que o homem um dia aflija a sua alma, que incline a sua cabeça como o junco, e estenda debaixo de si saco e cinza? Chamarias tu a isto jejum e dia aprazível ao Senhor?”
(Isaías 58.3-5)

Há pessoas que fazem jejum para conseguirem o que desejam, como se fosse um reforço adicionado a oração. Sendo assim, acham que com o seu sacrifício Deus fiaria comovido, com dó e atenderia os seus desejos. Muitas vezes, usam o jejum como argumento para cobrar de Deus a resposta das orações, como se Deus fosse obrigado a atender alguém porque deixou de comer.

Nesses moldes, não há jejum, mas sim uma greve de fome. Greve de fome para que Deus atenda os caprichos humanos.

Gandhi promoveu uma greve de fome, porém, com motivos extremamente mais nobres do que o que vemos por aí. Ele anunciou uma greve de fome em prol da libertação da Índia que era oprimida pelo império Britânico.

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Outro exemplo de greve de fome, todavia com motivações malignas, está descrito em Atos 23.12:

“E, quando já era dia, alguns dos judeus fizeram uma conspiração, e juraram, dizendo que não comeriam nem beberiam enquanto não matassem a Paulo.”
Tem gente que vai jejuar e nem ao menos canta um hino de adoração, lê a Palavra de Deus ou ora, simplesmente fica sem comer. Que sentido tem isso?

Não vejo o jejum como uma obrigatoriedade. Há quem discorde completamente da prática do jejum, nem por isso vou taxá-lo de herege, achar que é menos santo ou que “acredita no evangelho da porta larga”. Penso que esta não seja uma questão central, e tomando como exemplo a frase atribuída a santo Agostinho, faço dele as minhas palavras: “No essencial, unidade; no não essencial, liberdade; em tudo, amor”.

Quem crê no jejum e acha que faz bem jejuar, que jejue, sem peso na consciência, porém, que no período em que estiver em abstinência de alimentos fique em oração e em comunhão.

Aliás, se você quer jejuar, não precisa ser só de comida. Antigamente o alimento era algo muito precioso, por isso, deixar de se alimentar tinha um peso muito grande. Hoje, no corre-corre do dia-a-dia, as pessoas ficam horas a fio sem se alimentar. Não é difícil ficar sem comer.

Que tal um jejum de palavras? Um jejum de murmuração? Um jejum de internet ou de televisão?

Que não esqueçamos que o jejum que agrada a Deus não é aquele em que eu guardo o meu pão para comer depois, mas aquele em que eu divido o meu pão com o próximo.

Jejuar é partilhar, é comungar, é fazer o bem.

Talvez um dos maiores e melhores exemplos do que seja jejuar a luz da graça e do evangelho de Cristo seja aquele que está descrito em João capítulo 6:

Jesus estava cercado de uma grande multidão no meio de um deserto. O mestre estava a ensinar, curar e libertar, quando percebeu que já era tarde e todos estavam famintos. Jesus se compadeceu da multidão e desejou alimentá-los. Então, após um diálogo com seus discípulos, um deles o disse:

“Esta aí um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas isto que é para tanta gente?” (João 6.9)



Eis aí um belíssimo exemplo de um perfeito jejum. Um rapaz que estava no meio da multidão (infelizmente a bíblia não dá mais detalhes sobre ele), certamente havia saído de casa com cinco pães e dois peixinhos para comer de lanche, mas resolveu entregar tudo o tinha para si, para saciar a fome de uma multidão.

O perfeito jejum não é aquele em que mais uma barriga fica vazia, mas aquele em que mais barrigas ficam cheias, deixando de estarem vazias (vide Isaías 58).

Como resultado, Jesus multiplica os pães e os peixes e toda a multidão se fartou. Isso demonstra que a matemática do reino de Deus funciona da seguinte maneira: Deus dá, nós dividimos e Ele multiplica.

Bem, era isso que eu tinha para compartilhar, então, entrego o meu jejum (risos).


Espero que possamos optar pelo jejum e não pela greve de fome.


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