31 dezembro, 2015

Vinho novo para o ano novo

vinho novo, odres novos
Por Allan Felipe Freitas

Mais um ano se encerra e outro se inicia. Seria bom se realmente conseguíssemos cumprir cada voto que fazemos sempre às vésperas da virada do ano, contudo, infelizmente ao longo do ano temos o péssimo hábito de nos sabotar. Quem dera acordássemos todos os dias com a mesma disposição e força de vontade presentes no dia 31 de dezembro. Promessas e mais promessas, sonhos e mais sonhos. No entanto, ano vem ano vai e, muitas vezes, tudo parece uma repetição cansativa e sombria. Pensando nisso, sugiro uma reflexão:

Certa vez Jesus disse: Ninguém deita vinho novo em odres velhos; doutra sorte, o vinho novo rompe os odres e entorna-se o vinho, e os odres estragam-se; o vinho novo deve ser deitado em odres novos.”
(Marcos 2. 22)

Acredito que essa passagem refira-se a questão da graça e da nova aliança, que são representadas pelo vinho novo em oposição a velha aliança, isto é, a lei, representada pelo odre velho. Não há como misturar. A estrutura forjada pela lei não pode resistir a novidade composta pela graça divina.

Todavia, não quero tratar de doutrina, mas propor uma leitura existencial para o texto. Desta maneira, entendo que nós somos os odres e o vinho novo é cada ano que passa. Sendo assim, não há como adentrar a um ano novo sem antes dar tchau ao ano que se passou e assumir-se enquanto odre novo.

Tem gente que vive a se lamentar do passado, daquilo que o magoou, entristeceu, traumatizou, deixando de aproveitar a oportunidade do tempo presente. Então, os anos velhos são convidados para colorir, ou melhor, descolorir o ano presente, numa mistura de vinho novo com odre velho que logo começar a trincar.

Outros, possuem boas lembranças do passado e por acreditarem que vivenciaram anos e experiências tão boas, resolvem afirmar para si que aqueles anos serão insuperáveis. Então, não criam expectativas para o próximo ano, não alimentam dentro de si a esperança de dias melhores. Esse grupo de pessoas é composto pelos famosos saudosistas, aqueles que acreditam que o futuro nunca terá chance de ser melhor do que o passado. Neste caso, a preferência é pelo vinho velho mesmo, há uma total rejeição quanto ao vinho novo.

Há também outro grupo de pessoas que não fazem nada de diferente com o passar dos anos, até tentam, mas vivem numa constante repetição. No findar do ano, fazem listas, traçam metas, proferem promessas, mas a animação dura só alguns dias e, logo, voltam a ser o que eram antes. Por isso, afirmo, nada muda sem que mudemos primeiro. O ano pode ser novo, mas se a mentalidade for velha, nada será novidade.

Para aqueles que se encaixam numa dessas descrições deixo o exemplo do Apóstolo Paulo.

“(...) uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim.”
(Filipenses 3.13)

Não dá para entrar no ano novo achando que poderemos encará-lo da mesma maneira que o fizemos com o ano anterior. O ano que se anuncia traz consigo novos desafios, novas aprendizagens, novos horizontes, novas possibilidades. É preciso criar, aprender, se reinventar, se aprimorar, se abrir para o novo.

Acredito que em muitas experiência as quais seremos submetidos no ano que surge poderemos recorrer ao nosso know how, no entanto, para outras, teremos que desenvolver novas competências, novas habilidades e novos métodos.

Toda vez que vira o ano, o vinho novo pode ser derramado, um novo tempo bate a porta, uma nova oportunidade é nos dada, porém, se formos odres velhos, certamente ele não suportará e rachará, mas, se nos renovarmos em Deus, seremos odres novos que acomodarão perfeitamente o vinho novo.

Deus é um Deus de novidade.

“Eis que faço novas todas as coisas...”
(Apocalipse 21.5)

O vinho novo está por vir, que saibamos aproveitar cada segundo deste ano para viver em novidade de vida, como novas criaturas, como filhos do Deus vivo e que possamos aproveitar cada oportunidade que tivermos para manifestar o amor e a graça de Deus.

Que em 2016, ao invés de pedir bênçãos a Deus, você seja a bênção que o mundo precisa.


Feliz ano novo!

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2 comentários:

  1. Maravilhosa reflexão ! Qdo o novo é recepcionado por uma estrutura velha, o caos é instalado. Feliz Vinho Novo !!

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