29 novembro, 2015

O que está acontecendo com a igreja brasileira? Onde foi parar a nossa humanidade?

sequidão
Por Allan Felipe Freitas

De vez em quando fico a pensar: O que está acontecendo com a igreja? No que temos nos transformado? Temos a melhor cartilha de todas para construir uma sociedade justa, transparente, altruísta e baseada no amor que é O Sermão da Montanha proferido por Cristo Jesus, no entanto, parece que caminhamos na direção oposta.

Segundo Mahatma Gandhi, a Grande Alma da Índia, que não era cristão, mas afirmou que se todos os livros sagrados da humanidade se perdessem, exceto O Sermão da Montanha, nada se teria perdido. “Quando nos unirmos com base nos ensinamentos de Cristo no Sermão da Montanha, teremos solucionado os problemas, não só de nossos países, mas do mundo inteiro”. Os ensinamentos de Jesus sobre o amor, se aplicados, podem sanar os males da humanidade.

A excelência do Reino de Deus e de seus princípios foi reconhecida por Napoleão Bonaparte com as seguintes palavras:

“Alexandre, César, Carlos Magno e eu mesmo fundamos impérios, mas à base de que firmamos as criações do nosso gênio? À base da força. Só Jesus Cristo fundou seu reino à base do amor, e até hoje milhões de homens morreriam por ele.”

O que me intriga é perceber que no Brasil, realidade na qual estou inserido, a maior parte das obras sociais, das ONG’s, dos movimentos sociais, das articulações que envolvem a sociedade civil organizada, de fóruns sobre direitos humanos, das discussões sobre ecologia e das pesquisas científicas não partem da igreja, mas daqueles que não confessam a Cristo como seu Senhor.

Certamente, essas são esferas nas quais a igreja deveria estar não muito pouco envolvida. Sei que haverá aqueles que dirão: Evangelho não é obra social, não é caridade! A igreja não tem que se envolver com política, a desigualdade não é problema nosso. Com relação à política, acredito que a igreja não deva se envolver com a política partidária, todavia, no sentido mais amplo da palavra, não há como subtrair a igreja da política, a igreja por si só já é política (espero ter tempo para desenvolver esse assunto em outro texto).

Não posso compreender como que nós, alvos do imenso amor do Pai, conhecedores da verdade, podemos ser indiferentes a dor do nosso próximo. Evangelho não é obra social, mas como posso admitir que alguém que nasceu de novo possa estar alienado do sofrimento daqueles que o cercam? Como esta pessoa pode aceitar passivamente a corrupção presente nos bastidores de muitas comunidades de fé? Cito as igrejas, porque a Bíblia diz que o juízo começará pela casa de Deus. Portanto, não há como querer combater a corrupção que está no congresso nacional sem antes não apontar o dedo para a sujeira que está por debaixo de muitos púlpitos.

Como posso acreditar que alguém que foi regenerado pelo Espírito Santo, que ama a Cristo, que é partícipe da natureza divina, se conforme com a injustiça social escancarada em nosso país, que acolha a extrema pobreza, o preconceito em todos os aspectos, a violência e a destruição ambiental com tanta naturalidade?

É muito triste constatar que não são as vozes de nossos profetas que ecoam pelas ruas gritando por justiça, vociferando contra a corrupção, contra a desigualdade, contra a opressão ao órfão, a viúva e ao pobre.

Será que caímos no erro denunciado por Gandhi?  Veja o que ele disse:

"Não conheço ninguém que tenha feito mais para a humanidade do que Jesus. De fato, não há nada de errado no cristianismo. O problema são vocês, cristãos. Vocês nem começaram a viver segundo os seus próprios ensinamentos.”

É incompreensível saber que somos nós que deveríamos amar o próximo com a nós mesmos e como Cristo nos amou, mas quem está construindo casas para os desabrigados, visitando a viúva e o órfão, vestindo o nu, acolhendo o estrangeiro, lutando por igualdade, alimentando o faminto e, quantos “etcs.” couberem aqui, são aqueles que julgamos como ímpios.

A teologia da prosperidade, da confissão positiva e todo esse movimento recente, têm aumentado a nossa indiferença. Será que nos tornamos robôs? Andróides?  Insensíveis, indiferentes, inertes, alienados e irrelevantes?

É preciso lembrar que:

“A ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus.”
(Romanos 8. 19)


Que possamos nos despertar para esse simples verso das escrituras:

E lhes darei um só coração, e um espírito novo porei dentro deles; e tirarei da sua carne o coração de pedra, e lhes darei um coração de carne.
(Ezequiel 11. 19)

Que se cumpra! De fato estamos precisando de um coração de carne, um coração humano. Gosto muito do que disse um pastor que admiro: se continuarmos deste jeito, é bom esquecer Pentecostes, porque o Espírito Santo não será derramado sobre uma raça de desalmados.


É hora de despertar, de agir, de amar, de viver o evangelho de maneira integral.


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