02 agosto, 2015

É pecado namorar?

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Por Allan Felipe Freitas

Nos últimos anos surgiram muitos movimentos no meio cristão que tratam do tema namoro, noivado e casamento. Livros, palestras, seminários e algumas práticas surgiram como é o caso da corte.

Para quem não sabe, a corte é um período de tempo em que o casal se conhece, conversa, mas não namora. Os defensores da corte dizem que é difícil administrar um namoro quando não se pode ter relações sexuais. Certa vez, li um artigo em que o irmão comentava que qualquer parte do corpo que penetre ao corpo do outro constitui uma relação sexual. Fiquei pensando, se o cara colocar o dedo no ouvido ou no nariz da namorada ele está transando com ela? Entendi que ele estava se referindo ao beijo de língua.

No caso da corte alguns chegam a fazer votos de só se beijarem após o casamento, tem gente que nem mesmo anda de mãos dadas enquanto não colocar a aliança no dedo anelar esquerdo.

Percebo que esse meio está repleto de misticismo o qual tem sido alimentado quando o assunto é namoro. Há muito legalismo por aí. A nossa juventude sofre com ensinamentos perversos com aparência de santidade, mas que na verdade servem ao controle.

Primeiramente, namoro não é coisa de outro mundo. Namorar é normal, faz parte da vida, é algo que tem que acontecer naturalmente, espontaneamente.

Algumas igrejas chegam a estipular idade para namorar, fazem um terror em cima do tema que os jovens ficam até com medo de começar um relacionamento. Parece um bicho de sete cabeças. Nesses locais os adolescentes ouvem o tempo inteiro: Não pode namorar! Não pode namorar! Não pode namorar!

O que fica no ar é que namorar é pecado. Certamente, não estou defendendo que uma criança de 11 anos de idade comece a namorar, mas tem coisas que são relativas e cabendo ao jovem e a família a tomada de decisão.

Conheço casos de algumas congregações onde o pastor tem que permitir o namoro. Queridos, pastor não tem que se meter nisso. Cabe a ele orientar e ensinar, para que os jovens saibam o tempo certo de iniciar um namoro e tenham maturidade o suficiente para escolher uma pessoa boa.

Tem lugares onde encontramos o extremo de um pastor escolher quem vai casar com quem. Acredita nisso? Pode isso Arnaldo? Pois é, isso acontece aqui no Brasil em algumas denominações.

Há também as comunidades que adotam regras do tipo, antes de namorar vocês tem que (necessariamente, obrigatoriamente) orar tantos meses para saber se é de Deus. O namoro é uma decisão que deve passar por oração como qualquer outra, mas não de maneira impositiva e sim através de uma consciência alicerçada na relação filial com Deus que nos guia por intermédio do seu Espírito.

Pode ser que você se depare com igrejas que adotam a corte, como citado acima. Lá, o namoro é proibido, é como se fosse pecado, algo sujo. Ora bolas, não há nada de errado em namorar, eu disse em namorar, que consiste em conversar, conhecer a pessoa, sair, abraçar, andar de mãos dadas, beijar.

Esse contexto evangélico é complicado... Dentro dessa teia temos uma pastora que realiza o culto das princesas. Nada contra a sua iniciativa, apenas critico o fato dela reforçar uma idealização irreal nas meninas. As meninas de hoje sonham com um príncipe encantado da Disney, loiro, de olhos azuis, forte, alto, rico, que fala três idiomas, que não arrote e nem solte pum. Estão buscando por alguém que não existe.

Ser seletivo é uma coisa, agora fantasiar excessivamente é muito prejudicial. Não é uma questão de ser fácil, nem de sair com todo mundo, mas de permitir-se conhecer àqueles que estão próximos. Resultado, muita gente ‘ficando para titia’, fechada em si mesma, frustrada, ou então, entrando e saindo de relacionamentos que não correspondem com o conto de fadas que idealizaram e nunca corresponderão.

Penso que com tudo isso, estes líderes estão ajudando a formar uma juventude imbecilizada, que não sabe pensar, que não se responsabiliza pelos seus atos, que não sabe escolher o que é melhor para si. Devemos nos preocupar na formação de jovens conscientes que saibam viver a vida, como ela tem que ser vivida.

Conheço jovens que estão arrasados porque namoram uma única vez e a relação não deu certo, tudo isso por conta da pressão que lhes é imposta. Como se eles tivessem uma única chance de acertar. A mensagem que eles estão recebendo é essa: preciso namorar logo com a pessoa certa, noivar e casar, caso algo dê errado, a culpa é minha, não orei o suficiente e etc..

Não... Eles precisam saber que é preciso conhecer o pretendente, saber dos seus sonhos, dos seus planos, da família de origem, da sua história. Namoro é para conhecer o outro, sem a conotação bíblica. Conhecer de verdade para não entrar numa furada.

Meu amigo, minha amiga, se você está solteiro e quer namorar, saiba, não é pecado namorar. Procure ser alguém interessante, com cultura, com assunto para iniciar e sustentar uma conversa. Ore a Deus e fique alerta. A pessoa certa pode estar mais perto do que você imagina.

Em suma, não é pecado namorar, apenas paute o seu namoro no amor, na ética e no respeito, siga o que bíblia instrui e serás feliz.


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