07 maio, 2015

O que está por de trás do discurso: Não toqueis no ungido do Senhor!?

Por Allan Felipe Freitas

“Pois surgirão falsos cristos e falsos profetas,
 operando sinais e prodígios,
para enganar, se possível, os próprios eleitos.”
(Marcos 13.22)

Este versículo nos serve de alerta, muito embora me pareça que muitos crentes não dão à devida atenção as estas palavras proferidas por Jesus. Na minha singela experiência no meio cristão percebo que a maioria associa o fato de alguém ter um título de pastor ou fazer parte de uma igreja evangélica a convicção de que aquela pessoa é de Deus, o que nem sempre é verdade.

A bíblia nos instrui neste, e, em vários outros versículos, a analisarmos tudo, conferirmos se o que é dito corresponde com o que está escrito. João nos adverte o seguinte:

“Amados não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo a fora.”
(1 João 4.1)

Certamente você já deve ter ouvido o argumento: “Você não pode falar mal de nenhum pastor ou líder evangélico, pois ele é o ungido do Senhor. Mesmo que ele esteja errado você não deve falar nada, pois se falar, Deus vai te castigar, porque não se pode tocar nos ungidos do Senhor.”

Deixe-me esclarecer esse mal entendido. Não existem “os ungidos do Senhor”, há apenas Um/O Ungido e este é Cristo. A palavra Cristo é a transliteração do adjetivo verbal grego, Christós, que significa ungido. Veja o que João escreveu:

“E vós possuís unção que vem do Santo [...]”
(1 João 2.20)

“Quanto a vós outros, a unção que dele recebestes permanece em vós [...]”
(1 João 2.27)

Ao escrever Santo (conforme o grifo do autor) João se refere a Jesus. Portanto, não há ungidos, a unção que temos vem do Ungido, aliás, essa unção não se restringe a sacerdotes, todos os que crêem e decidem seguir a Jesus de todo o coração são agraciados com a unção do Espírito Santo. Logo, não há diferenciação; um dos pilares da reforma protestante é o sacerdócio universal, porque a bíblia nos ensina que fomos feitos reis e sacerdotes em Cristo.

Com isso, não quero desmerecer o ministério pastoral, o pastor é alguém chamado por Deus para cuidar, orientar, guiar as ovelhas, ele tem essa responsabilidade, mas não é melhor do que ninguém. Trata-se de um homem ou uma mulher sujeitos as mesmas paixões que qualquer ser humano, logo, passíveis de erros.

Jesus se refere aos falsos cristos e, agora que discorremos sobre o significado da palavra cristo, fica fácil perceber que o vocábulo “cristo” está com ‘c’ minúsculo, sendo assim, não se refere a Jesus, mas a homens que afirmam serem ungidos, porém, não são. Falos cristos e falsos mestres que curam, libertam, mas não possuem a unção do Santo. São pessoas que pervertem a pregação do evangelho utilizando-se de falsas doutrinas, de heresias e de sutis distorções que visam tirar proveito das pessoas e não conduzi-las ao caminho de Jesus.

O discurso de não tocar no ungido parece-me ser algo criado para amedrontar as pessoas e conceder uma licença por parte da comunidade para o líder religioso cometer todo tido de pecado e não ser questionado. É uma forma de não haver contestação, de calar os verdadeiros profetas que possuem a missão de denunciar o pecado, seja do povo, seja do sacerdote. Então, o falso profeta se esconde por de trás deste discurso e o povo que não conhece as escrituras fica à mercê de um lobo em pele de cordeiro, de alguém que não possui o espírito do evangelho e é motivado por interesses escusos.

Por não conhecerem as escrituras, ninguém questiona, observa, examina e nem discerne o espírito, configurando-se uma desobediência à Palavra, porque o pecado não está em julgar, questionar ou “tocar no ungido”, mas sim em não fazê-lo e incorrer no risco de ser enganado.

Quando alguém me vem com esta ideia de que não se pode tocar no ungido eu gosto muito de citar o profeta Natã. O texto deixa muito claro que o profeta tocou em Davi, ungido de Deus. Obviamente aqui estamos tratando da velha aliança, porém é uma forma de esclarecer. Leia atentamente o que consta nas escrituras.

“O SENHOR enviou Natã a Davi. Chegando Natã a Davi, disse-lhe: Havia numa cidade dois homens, um rico e outro pobre. Tinha o rico ovelhas e gado em grande número; mas o pobre não tinha coisa nenhuma, senão uma cordeirinha que comprara e criara, e que em sua casa crescera, junto com seus filhos; comia do seu bocado e do seu copo bebia; dormia nos seus braços, e a tinha como filha.
Vindo um viajante ao homem rico, não quis este tomar das suas ovelhas e do gado para dar de comer ao viajante que viera a ele; mas tomou a cordeirinha do homem pobre e a preparou para o homem que lhe havia chegado.
Então, o furor de Davi se acendeu sobremaneira contra aquele homem, e disse a Natã: Tão certo como vive o SENHOR, o homem que fez isso deve ser morto.
E pela cordeirinha restituirá quatro vezes, porque fez tal coisa e porque não se compadeceu. Então, disse Natã a Davi: Tu és o homem. Assim diz o SENHOR, Deus de Israel: Eu te ungi rei sobre Israel e eu te livrei das mãos de Saul; dei-te a casa de teu senhor e as mulheres de teu senhor em teus braços e também te dei a casa de Israel e de Judá; e, se isto fora pouco, eu teria acrescentado tais e tais coisas.
Por que, pois, desprezaste a palavra do SENHOR, fazendo o que era mau perante ele? A Urias, o heteu, feriste à espada; e a sua mulher tomaste por mulher, depois de o matar com a espada dos filhos de Amom. Agora, pois, não se apartará a espada jamais da tua casa, porquanto me desprezaste e tomaste a mulher de Urias, o heteu, para ser tua mulher [...]” (1 Samuel 12.1-10)

Fica muito claro que mesmo Davi sendo homem segundo o coração de Deus, rei e ungido do Senhor, ele era humano. Davi precisava de uma correção, de uma chamada de atenção, a Palavra nos mostra que Deus só corrige o filho que ama.

Sendo assim, o discurso presente nos círculos evangélicos é furado, não possui sustentação bíblica, além de servir ao engano e facilitar o caminho dos falsos profetas, que não tem nenhum compromisso com o evangelho, com as pessoas, com a ética, apenas com o dinheiro, fama, sucesso, poder, e glória para si. Para obterem o que querem usam as ovelhas como se fossem números, cifrões ou massa de manobra para fins político-partidários. 

Cuidado com os falsos cristos!


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