04 março, 2015

Quando a perseguição está nos planos de Deus

PARTE 1
Perseguição, igreja perseguida, cristãos, o povo da cruz

Por Allan Felipe Freitas

“Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus.; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós.”
(Mateus 5. 10-13)

A perseguição aos cristãos ao redor do planeta não é um fato recente. Alguns por desconhecerem o assunto acreditam que isso começou com o Estado Islâmico ou com o Boko Haram. É bem verdade que por muito tempo a mídia se calou sobre esse assunto e, ultimamente, de forma discreta ela vem noticiando as barbaridades cometidas pelos grupos radicais islâmicos. No entanto, se fizermos um mergulho histórico chegaremos à conclusão de que a perseguição aos cristãos surge mais ou menos junto com a fundação da igreja primitiva. E de lá pra cá de maneira incessante milhares de servos de Deus, agentes subversivos do Reino, homens e mulheres dos quais o mundo não era digno, foram torturados e mortos de maneira brutal.

Mas, por que Deus permite que a perseguição atinja a sua Igreja?

Haveria algum propósito de Deus para a perseguição aos cristãos?

Quando alguém decide seguir a Jesus assume para si a cruz, com ela, de certa forma, o padecer como Cristo padeceu. Jesus ensinou que o discípulo não é melhor e nem maior do que seu mestre, por isso, nós não estamos livres de sofrer perseguições, calúnias e injustiças assim como Ele sofreu, por amor ao Reino de Deus. Para ser mais didático e menos prolixo tomo a frase do bispo Hermes Fernandes que diz que todo discípulo de Jesus é uma mártir em potencial.

Ao abordar perseguição nesse texto não a entenda como aquela perseguição do seu chefe, do seu vizinho ou de algum desafeto seu, mesmo que seja por causa da verdade do evangelho. A bíblia nos mostra que por amarmos a Deus nós seríamos odiados e isso não só pode como deve acontecer na vida de qualquer cristão. Contudo, ao referir-me à perseguição estou fazendo menção a uma perseguição mais intensa, de outra esfera. Uma perseguição maciça que parte de governos, exércitos, grupos extremistas, aliados políticos e demais organizações que objetivam exterminar “o povo da cruz”, fazer calar os pregadores das boas novas.

No intuito de responder as questões levantadas acima vamos ler o seguinte trecho das escrituras:

“mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.”
(Atos 1. 8)

Jesus tinha deixado uma instrução para os líderes da Igreja. Os apóstolos deveriam ficar em Jerusalém até que do alto fossem revestidos de poder, até descer sobre eles o Espírito Santo. A promessa da descida do Espírito Santo se cumpriu mais a frente no capítulo dois do livro de Atos, precisamente no dia de Pentecostes. O Espírito Santo os habilitara para cumprir a ordenança do ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura.

Todavia, parece-me que os apóstolos não entenderam muito bem a instrução dada por Jesus, o Espírito Santo desceu e eles continuaram em Jerusalém. Na verdade eles deveriam ficar em Jerusalém até a descida do Espírito Santo, e então, seguir para a Judéia, Samaria e os confins da terra.

Quando o texto sagrado fala de testemunhas entenda como mártires, pois uma das possíveis traduções da palavra testemunha no original grego é mártir.

Dito isso, avançando a leitura do livro de Atos chegaremos ao capítulo oito.

“Naquele dia, levantou-se grande perseguição contra a igreja em Jerusalém; e todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e Samaria”
(Atos 8. 1)

Comparando Atos 1.8 com Atos 8.1 é possível perceber que para que a promessa feita por Jesus aos seus discípulos se cumprisse Deus teve que lançar mão do expediente da perseguição. A perseguição estava nos planos de Deus, fazia parte da agenda Dele. Deus não faz nada em cima da hora, não dá jeitinhos para reparar um plano que não deu certo. Ele sabe da nossa condição humana propensa a acomodação. A igreja estava crescendo assombrosamente em Jerusalém, já incomodava as autoridades da “Cidade Santa”, porém estava concentrada em um só lugar.

Deus sabia de antemão que os apóstolos ficariam em Jerusalém mesmo após a vinda do Espírito Santo que os capacitou com ousadia, intrepidez e poder para falar em público, curar paralíticos, operar milagre, fazer sinais e prodígios, impressionando a muitos.

Observe que foi justamente a grande perseguição contra a igreja em Jerusalém que fez com que os cristãos fossem dispersos indo para a Judéia e Samaria. E assim se deu o cumprimento da promessa, porque logo adiante, com mais perseguições os seguidores do caminho foram alcançando os confins da terra.

Portanto, podemos deduzir que a perseguição tem um lado positivo para a Igreja, a expansão do Reino, a propagação do evangelho, o espalhar de missionários por toda parte. A perseguição não consegue calar ou suprimir a Igreja, pelo contrário, ela fortalece os genuínos servos. Talvez se não houvesse essa primeira grande perseguição, detonada após a morte do diácono Estevão, o evangelho não tivesse chegado até nós.

A nossa tendência a acomodação faz com que nos voltemos para as nossas próprias questões, para as demandas da igreja local, os problemas da cristandade. Com isso, deixamos de enxergar os perdidos, os irmãos que são perseguidos, os missionários, os povos que ainda não foram alcançados e sofrem na ignorância.

Toda prosperidade e crescimento que Deus dá uma igreja tem uma finalidade, que não é um fim em si mesmo, e, um propósito que está para além das demandas locais. Tal abundância é para que compartilhemos com os que não têm e para que se invista em evangelismo e em missões. É para financiar e sustentar projetos que visam levar a palavra aos povos não alcançados, a países onde há um desconhecimento do evangelho, onde há, inclusive, uma proibição da sua pregação. É para isso que Deus tem nos abençoado.

Aqui vai uma alerta para a igreja do Ocidente e, principalmente, para a igreja no Brasil. Deus tem nos dado muito, com o propósito de socorrer os que precisam. Infelizmente, na maioria das vezes, todo o recurso angariado serve a um propósito somente: a ostentação. Tanto recurso financeiro, tanta liberdade, tantas denominações, tantos evangélicos e fazemos tão pouco...

Pode ser que uma perseguição aos cristãos do Brasil esteja nos planos de Deus para que nos lembremos da essência do evangelho e da nossa verdadeira missão.


[*] O texto está divido em partes, não deixe de acompanhar o desenvolvimento deste raciocínio. Amanhã será publicado a segunda parte.




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