17 março, 2015

“Bosta e Circo”: você ainda vai cair nessa, meu irmão?

pão e crico, circo e púlpito, pastor palhaço

Por Allan Felipe Freitas

“Eu pesco o povo com bosta.” Foi o que disse o líder de uma grande denominação que possui milhares de templos espalhados pelo mundo, emissoras de rádio e de televisão, além de um parque gráfico de primeira qualidade. Ficou espantado (a) com a expressão? Eu também fiquei.

Pois bem, deixe-me explicar o porquê do título acima. A política do Pão e circo (panem et circenses, no original em Latim) como ficou conhecida, era o modo com o qual os líderes romanos lidavam com a população em geral, para mantê-la fiel à ordem estabelecida e conquistar o seu apoio. Esta frase tem origem na Sátira X do humorista e poeta romano Juvenal (vivo por volta do ano 100 d.C.) e no seu contexto original, criticava a falta de informação do povo romano, que não tinha qualquer interesse em assuntos políticos, e só se preocupava com o alimento e o divertimento. Em suma, o governo dava pão e circo e o povo ficava satisfeito e não questionava absolutamente nada.

O termo “bosta e circo” é uma paráfrase desta política, uma alusão aos mecanismos de controle e manipulação. Porém aqui, “bosta e circo” será um conceito utilizado na tentativa de descrever as ferramentas maléficas usadas por alguns líderes religiosos para ludibriar os incautos.

Bosta é um termo vulgar que nos remete às fezes, que são produto da digestão e de outros processos biológicos. O organismo absorve os nutrientes dos alimentos e o que não é interessante ele expele. Simples assim.

Assim como fez o líder citado anteriormente, que se auto-denunciou, chamo a pregação fajuta do evangelho de bosta, porque não posso chamar de pão algo que não é o evangelho. Isto seria um ultraje! Jesus disse que Ele é o Pão da vida, sendo Ele o verbo que se fez carne, podemos assim nos referir a Palavra de Deus como Pão vivo, como alimento espiritual.

Contudo, quando ligo a televisão, infelizmente, 9 de cada 10 programas evangélicos apregoam a famigerada Teologia da Prosperidade, utilizam de misticismo, sincretismo e objetos consagrados que mais parecem amuletos; fazem atos proféticos que, mais parecem atos patéticos, promovem campanhas em cima de campanhas, falam de cura e libertação.

Normalmente os pastores lançam desafios financeiros e boa parte do programa é destinada a pedir dinheiro: uma ajuda para “a obra não parar”. Dinheiro, talvez seja o assunto que eles mais falam. Mas, e a Palavra? Cadê a pregação do evangelho? Onde Jesus fica nessa história?

Pois é, não há Palavra. Jesus quando é citado, o é a partir de um texto decorado, que está fora de contexto e totalmente distorcido. Logo, não há Pão e sim outro evangelho que ousei chamar de “bosta”.

Desafio você a ler o que Paulo diz sobre esse outro evangelho e sobre o seu porta-voz:

“Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo.
Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema.
Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema.”     
(Gálatas 1. 6-9)

Nesta passagem o Apóstolo Paulo denuncia a pregação de um falso evangelho e diz que é amaldiçoado aquele que prega essa mensagem adulterada. Assim, particularmente creio que o seu conselho para nós hoje seria: não dê “IBOPE” para esses palhaços. Não dê crédito nem promova esse tipo de aberração.

Sinto em informar que muitos pastores abriram mão de seus ministérios para virarem palhaços. O púlpito virou um enorme picadeiro e milhares de irmãos estão integrando uma enorme platéia que sorri com belas palavras pronunciadas ao microfone, palavras as quais deveriam fazê-la debulhar-se em lágrimas e se envergonhar.

As igrejas mais parecem circos com diversos espetáculos que visam encantar e entreter a platéia. O preço para assistir continuamente esses espetáculos é super inflacionado, absurdamente caro: dízimos, trízimos, ofertas de primícias, sacrifícios, desafios financeiros, campanhas e mais campanhas nas quais se podem comprar uma bênção.

No final das contas o palhaço sai feliz com o bolso cheio de dinheiro e contando vantagem por ter enganado mais alguns. A platéia sai contente e satisfeita acreditando ter desfrutado de um banquete com muitas “palavras proféticas” que saíram da boca de um “ungido do Senhor”.

Todavia, para quem tem olhos espirituais é sabido que eles se alimentaram de bolotas de fezes e que estas acarretarão cada vez mais numa cegueira espiritual, impedindo-lhes de enxergarem a sua própria ganância e o seu estado doentio.

Karl Marx dizia que a religião é o ópio do povo. O ópio era uma substância extraída dos frutos imaturos de espécies de papoulas com a finalidade de ser usada como droga. Hoje, temos uma situação parecida, só que ao invés do ópio temos uma bosta altamente tóxica disponível nas rádios, na internet e principalmente na televisão.

Por favor, se você já caiu nesse engodo, não caia mais nessa. Busque ao Jesus das escrituras. Leia a bíblia! Você tem acesso a ela. Não se deixe enganar. Coma do Pão quentinho fabricado pelo Espírito Santo que está disponível gratuitamente para você.

Chega de palhaços que se auto-intitulam pastores! Chega de circo! Basta de palhaçada!


*Caso duvide do que estou trazendo aqui, sugiro a leitura de: (Jeremias capítulo 23, Ezequiel capítulo 34, Mateus 7.15, 2ª Pedro 2.1, 1ª João 4.1-6)


*OBS: O evangelho genuíno não é uma religião.








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