17 janeiro, 2015

Pênis, vagina ou língua, qual o órgão mais perigoso?

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Por Allan Felipe Freitas

Cansei de tanta hipocrisia, cansei de ver o uso de dois pesos e duas medidas, algumas lideranças utilizam-se de uma balança desregulada. Grande parte dos pastores prega que não existe pecadinho e nem pecadão. Então, por que alguns pecados são veementemente combatidos e outros são tolerados?

Não seria como coar um mosquito e engolir um camelo (Mateus 23.24)?

De um lado está o pênis e a vagina, órgãos que representam os pecados de cunho sexual. No outro lado temos à língua, um pequeno órgão que representa os pecados oriundos da fala. O objetivo do presente artigo não é discutir o que é e o que não é pecado sexual, por isso, não abordarei essa questão.

Pecados sexuais versus pecados verbais, quais são os mais perigosos?

Antes de responder a pergunta acima, faz-se necessário expor como a sexualidade é abordada pelas igrejas evangélicas. O que exponho aqui é fruto das minhas experiências e observações do meio, fui nascido e criado na igreja.

Quando o assunto é sexualidade, na maioria dos casos, há uma omissão por parte da igreja, um silêncio, um espaço vazio. Muitos temas considerados tabus não são abordados nos púlpitos, por serem tidos como imundos e impróprios ou por falta de coragem por parte da liderança.

Essa omissão afeta principalmente os jovens e adolescentes que estão com os hormônios aflorando e precisam de respostas para satisfazer a sua curiosidade. No entanto, o que esse grupo ouve por parte dos pastores é sempre o que não se deve fazer. Em se tratando de pecados sexuais a igreja é taxativa e impositiva. Proibir e condenar são duas palavras que resumem o que estou tentando explicar.

Os membros são atravessados por questões sexuais, sofrem angustias, crises, e ficam com a cabeça repleta de dúvidas pelo fato de não terem uma explicação plausível para assuntos relacionados à sexualidade.

No sermão do pastor é dito: “Fazer isso é pecado e aquilo outro também.”

A pressão é muito maior em cima dos jovens, os olhos de todos se voltam para eles, estão cercados de uma grande nuvem de testemunhas (Hebreus 12.1). São verdadeiros “fiscais da sã conduta sexual”. Se um casal de namorados tem relações sexuais e isso se torna público, não queira estar na pele de nenhum deles. Logo, são disciplinados, castigados, condenados e afastados de qualquer função na congregação. Todos apontam o dedo e os tomam como exemplo de má conduta. É um sofrimento terrível.

Se a jovem engravidar antes de casar também se percebe a mesma repercussão.

Tenho constatado que esse fardo não é tão pesado para os adultos viúvos ou divorciados. Para com esta parcela da membresia a igreja não é tão implacável como é com a anterior.

Bem, e quando o pecado tem sua origem na língua? Como a igreja e os pastores se posicionam? Quais são as punições?

A resposta é simples e curta. Na grande maioria das igrejas não há posicionamento e nem há punições, porque os pecados verbais são tolerados.

Você conhece alguém que foi disciplinado porque fez fofoca?
Conhece alguém que foi retirado do ministério por expor sem necessidade as fraquezas de um irmão?

Mentira, fofoca, calúnia, difamação, falso testemunho, discórdia, dissensão, facção, divisão, contenda, injúria, murmuração e etc. Todos esses são frutos de pecados cometidos com a língua.

De volta à questão sexual, vejamos o que a bíblia diz sobre o dano do pecado sexual, suas conseqüências e seu real perigo:

“Fugi da prostituição. Qualquer outro pecado que o homem comete, é fora do corpo; mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo.”
(1 Coríntios 6.18)

Se alguém comete um pecado sexual está pecando contra o seu próprio corpo, ou seja, estará prejudicando a si mesmo, no máximo a mais uma pessoa.

Agora, vejamos o que a bíblia nos fala sobre a língua:

“Assim também a língua, pequeno órgão, se gaba de grandes cousas. Vede como uma fagulha põe em brasas tão grande selva! Ora, a língua é fogo; é mundo de iniqüidade; a língua está situada entre os membros de nosso corpo, e contamina o corpo inteiro, e não só põe em chamas toada a carreira da existência humana como também é posta ela mesma em chamas pelo inferno. Pois toda espécie de feras, de aves, de répteis e de seres marinhos se doma e tem sido domada pelo gênero humano; a língua, porém, nenhum dos homens é capaz de domar; é mal incontido, carregado de veneno mortífero. Com ela bendizemos ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus.”
(Tiago 3.5-9)

O dano causado por um pecado verbal não só atinge quem o comete, mas também, um número infindável de pessoas. Com uma fofoca um casamento pode ser destruído, um ministério pode vir a ruir, amizades podem ser desfeitas...

A língua pode incendiar uma floresta. Seu raio de devastação é enorme, assim como numa epidemia ou como na metástase, fase em que o câncer se espalha pelo corpo, o pecado verbal vai atingindo a quem estiver por perto.

Além disso, os pecados cometidos com a língua têm uma freqüência muito maior do que os cometidos com o órgão sexual.

Comparando essas duas passagens bíblicas citadas a cima, podemos chegar a conclusão de que a língua é muito mais perigosa do que o pênis ou a vagina. O dano causado pela língua é incalculável e, às vezes, irreparável.

Por isso, sugiro que os pastores comecem a exortar a igreja sobre o perigo da língua e que todos nós possamos nos policiar para não usar a língua de maneira errada e não permitir que a fofoca, os falsos testemunhos e os demais pecados verbais tenham espaço nas nossas relações.

Líderes, ao invés de se preocuparem tanto com o pênis e a vagina de seus membros preocupem-se com os fofoqueiros, pois podem ter certeza, vossas igrejas estão cheias deles. Um fofoqueiro pode perverter toda sua igreja, enquanto um adúltero, por exemplo, está se afundando sozinho.

Não estou aqui defendendo nenhum tipo de pecado sexual e nem dando licença para pecar. Quero apenas alertar a Igreja de que a língua é muito mais perigosa que os órgãos sexuais e que temos tolerado esse tipo de pecado no nosso meio como se este não fosse nocivo.

“Põe, ó Senhor, um guarda à minha boca; vigia a porta dos meus lábios!”
(Salmos 141.3)



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5 comentários:

  1. Texto admirável, perspicaz e claro. Só discordo com a repercussão das consequências de um pecado sexual, penso ser muito mais amplo.

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    1. Olá Leonardo-Zack, bem-vindo ao blog ESC!

      Obrigado pelo comentário. No texto em questão tive a preocupação de comparar o dano e a maneira como são tratados os pecados sexuais versus os pecados da língua.

      Os pecados sexuais tem sim consequências e graves, todavia os pecados da língua também, e, em sua maioria, muito mais graves.

      Realmente não explicitei essas consequências no texto, pois o foco era outro.

      Me alegro com a sua opinião e se Deus me der graça posso escrever um texto falando somente dos pecados sexuais.

      Forte abraço!

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  2. Abíblia diz: que não há pecadinho e nen pecadão.Tanto vagina,penis e língua,devem sofrer a mesma punição,que sofre o penis e a vagina,quando praticam ato sexual.Classifico com omissão dos pastores que não falam a verdade sobre os assuntos.

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  3. Ah e os três devem ser bem usados numa relação. Os crentóides homens também ficam doidos por uma mamada no pênis e elas serem acariciadas pela lingua, mas ficam todos travadinhos porque é "pecado".

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  4. induzi alguém ao erro também é pecado e ridicularizar as coisa santas também é vc viu o teor do comentário anonimo
    isso é o uso do que é sagrado de forma errada, não devemos associar as coisas de Deus com pornografias, estou anonimo por medida segurança

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