27 dezembro, 2014

O cego Bartimeu e a indiferença da Igreja

Bartimeu, cego, Jesus, cura

Por Allan Felipe
  
“Jesus saia da cidade de Jericó, seus discípulos e numerosa multidão o seguiam.”
 (Mc 10.46-52).

À beira do caminho encontrava-se um cego, de nome Bartimeu, filho de Timeu. Um homem que vivia a mendigar, sem nenhuma esperança de dias melhores. Estava assim, condenado para o resto de sua vida. Como se não bastasse ser cego ainda precisava pedir esmolas para sobreviver. Vítima do preconceito social, já que, para muitos de sua época ser cego era sinônimo de ser amaldiçoado, um pecador miserável que devia estar pagando com a cegueira suas transgressões, ou a de seus antepassados.

Até que um dia o cego ouve falar de Jesus Cristo, o Filho de Davi, aquele que tinha poder para dar vista aos cegos, fazer os paralíticos andarem e libertar os oprimidos. Foi então que brotou no seu coração a esperança de uma nova vida. Bartimeu reuniu toda pouca força que tinha. Certamente estava sujo, cansado e faminto. Começou a gritar: Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim! O grito ressoava em meio à multidão. Ele já estava acostumado a ser ignorado, ninguém nunca o valorizara, sobrevivia das esmolas que alguns poucos lhe concediam.

Enquanto dava o grito de sua alma, clamando por Jesus, a multidão que seguia Jesus o condenava, o desprezava, reafirmava para ele o rótulo de mendigo e cego. Ao invés de facilitarem o seu encontro com Jesus tentaram o impedir. Muito diferente do que fizeram aqueles homens em Cafarnaum (Mc. 2 1-12), que levaram um paralítico até Jesus, não se importando com a multidão. Arquitetaram um plano mirabolante de suspender o paralítico e descê-lo pelo telhado até chegar a Jesus. Que exemplo! Essa deveria ser a atitude de todo cristão. Facilitar o caminho das pessoas, fazer o bem, conduzir a bênção.

No entanto, como já frisei, não foi isso que fez aquela multidão, muito pelo contrário, estavam insensíveis, indiferentes, talvez fissurados nos seus próprios desejos, pedidos, nos milagres que esperavam que Jesus lhes fizesse. Por isso, não tinham condição de se preocupar com um cego que estava à beira do caminho, atrapalhando de chegarem até Jesus.

Contextualizando essa passagem podemos perceber que hoje não é diferente. As multidões se aglomeram em templos suntuosos em busca dos milagres. E no ir e vir não percebem os “Bartimeus” que estão à beira do caminho a mendigar, sem esperança, precisando de alguém que os conduza até Jesus.

A indiferença daquela multidão é a mesma da nossa. Será que estamos tão insensíveis que não podemos perceber que há milhares de necessitados ao nosso redor? Será que estamos tão cegos como Bartimeu que não podemos ver essa gente que precisa de alento, de amor, de socorro?

O que mais me chama a atenção nesse texto é que Jesus se importou com Bartimetu. Ele sabia da história daquele homem, Ele não estava passando por aquele caminho por acaso, Jesus sabia que iria encontrá-lo ali.

O mestre manda chamá-lo! Posso sentir a alegria daquele homem! Creio que possa ser que tenha pensado: Ele ouviu o meu clamor, Ele me percebeu. Jesus me notou, sabe quem eu sou e não me rejeitou como tantos outros!

Então, joga longe a capa que simbolizava toda uma vida marginalizada, esquecida pelas autoridades, quem sabe até pela família? Abandonada e condenada pelos religiosos.

Conseguintemente Jesus lhe pergunta: o que queres que eu te faça?

Bartimeu responde: Mestre que eu torne a ver.

Bartimeu ouve de Jesus uma das frases mais incríveis de toda a bíblia: “Vai, a tua fé te salvou.”

Conta-nos as escrituras que aquele homem tornou a ver e seguia Jesus estrada a fora.
Jesus se preocupa com os excluídos, são eles que Jesus quer. Será que nós como igreja temos tido a mesma preocupação que Cristo?

Precisamos deixar de lado o egoísmo, a indiferença, a insensibilidade, o materialismo e olhar para os que estão à beira do caminho assim como Jesus.



Comente com o Facebook:

0 comentários:

Postar um comentário

Invista em você

Invista em você
© Evangelho Sem Censura 2012 | Blogger Template by Enny Law - Ngetik Dot Com - Nulis