14 julho, 2017

Adorar a frequência à igreja é desviar-se do Evangelho



É muito triste quando a frequência à igreja toma o lugar de Deus. É interessante porque o hábito de ir constantemente ao templo pode se transformar em idolatria e tomar a primazia que deveria ser do Pai celestial.

É triste ver que a frequência ao templo, por vezes, substitui a relação com Deus, uma troca nada saudável.
Fico indignado, perplexo e estarrecido quando vejo que a constância aos cultos passa a ser o objetivo de vida de alguns irmãos, sendo o “ir à igreja” a finalidade de todas as coisas, estando acima de tudo e de todos. É como na parábola do bom samaritano. O sacerdote passa, mas está atrasado para o culto, não poderia parar para ajudar. Então, passa o levita, e este fica a levitar, rsrs (brincadeira)... acontece que o levita tem ensaio e se vê impossibilitado de ajudar aquele pobre necessitado.
Surpreendentemente, um samaritano, que provavelmente não frequentava igreja, foi quem parou para prestar socorro.

Repare que a frequência à igreja impediu dois homens, com títulos e prestígio dentro de uma congregação, de cumprirem o primeiro e maior mandamento. Curioso não? Paradoxal talvez. Pode parecer uma tremenda heresia, mas não é. A frequência à igreja pode nos impedir de estarmos presentes, nos impedir de amar as pessoas, nos impedir de servir.
É muito triste quando o zelo excessivo pela frequência à igreja faz com que amigos de anos se separem, fiquem sem se ver, pois quem venera a frequência à igreja nunca tem tempo para estar com esse amigo, não consegue visitá-lo, participar de uma social ou ter uma conversa longa ao telefone.

A programação da igreja é sempre mais importante. Raramente não se tem algum compromisso no templo. De segunda a segunda, agenda lotada, cheia de eventos, encontros, congressos, festividades, cultos, reuniões e ensaios.

É impressionante quantos filhos e filhas crescem distantes dos pais por conta do zelo excessivo em frequentar à igreja. Quantos lares arruinados, famílias violadas, casamentos destruídos.

Quando alguém passa adorar a frequência à igreja, certamente já se desviou do evangelho.
Forte não?

Proponho um desafio. Leia os evangelhos e enumere as vezes que Jesus estava no templo e as vezes em que ele estava com as multidões, com o povo, com os doentes, pecadores, excluídos, ou, com os seus amigos, mais conhecidos como discípulos. Fez a conta?
Pois bem, muitas pessoas tem perdido amizades valiosas, vínculos familiares e afetivos por conta da frequência à igreja. Não há nada de errado em ir à igreja, contudo, o evangelho não se resume nisso. Ir à igreja não deve ser mais importante do que estar com alguém, do que amar alguém, do que servir alguém, do que socorrer alguém.

A família deve vir antes da igreja. Deus criou a família lá em Gênesis e criou a igreja muitos e muitos anos depois.

“Pois, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Marcos 8. 36)

Sei que se você faz parte de alguma igreja institucional deve se sentir muito pressionado a comparecer a todos os eventos promovidos pela igreja, porém não é obrigado. Às vezes a liderança não considera o ritmo de vida acelerado que vivemos e lota a semana de atividades.

Pode ser que você fique mal visto, que te critiquem, te chamem de frio, turista ou domingueiro, contudo melhor é adorar a Deus e viver em simplicidade do que adorar a frequência à igreja. Vai por mim.

Igreja ou senzala?


#prontofalei

01 agosto, 2016

O Deus que gosta de brincar de esconde-esconde

Esconde-esconde, pic-esconde

Por Allan Felipe Freitas

A leitura da Bíblia Sagrada tendo Cristo como chave hermenêutica pode nos revelar um Deus onipresente, mas que ao mesmo tempo é um Deus que costuma fugir do previsível e se esconder/revelar no imprevisível. Por mais paradoxal que possa parecer o Deus, pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que é onipresente, gosta de brincar de esconde-esconde.

Talvez você já esteja me taxando de herege por fazer tal comparação, entretanto, permita-se ao menos ler o texto e refletir a partir da mensagem que ele traz consigo, para então, tecer críticas e fazer seus julgamentos.

Charles Finney, pregador avivalista de naturalidade norte americana, nascido no final do século 18, foi um homem que experimentou o poder de Deus. Contudo, propôs uma determinada fórmula para se obter o avivamento.

É muita pretensão humana tentar apreender a ação divina e achar que é possível descobrir uma maneira de fazer Deus repetir o que fez no passado. É burrice, porque Deus não se repete. Ele é imutável, mas possui infinitas possibilidades de intervir na nossa história.

Avivamento é obra de Deus. O Altíssimo e Soberano realiza quando quer, onde quer e como quer. Acontece no “de repente”.

“De repente veio do céu um som, como de um vento muito forte, e encheu toda a casa na qual estavam assentados.”
(Atos 2.2)

“Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade.”
(Filipenses 2.13)

Toda vez que o homem acha que pode prever Deus, manipulá-lo, ou, obrigá-lo a agir à sua maneira, Deus se esconde. O Eterno não pode ser enquadrado pelo homem, porque Ele transcende qualquer regra, qualquer lei natural, qualquer fórmula humana.

Os sistemas religiosos tentam enquadrar Deus, procuram colocá-lo dentro de uma sistemática de doutrinas, num esforço imbecil de fazer Deus refém da tradição humana.

Pode ser que os templos de hoje, e não quero aqui generalizar, estejam tomados de gente que busca Deus. Todavia, Deus resolveu abandonar o templo.

“E, quando Jesus ia saindo do templo...”
(Mateus 24.1)

O templo deixou de ser o lugar onde Deus se esconde. A brincadeira ali não tinha mais graça. Como no esconde-esconde, a criança fica a procurar o amigo que está se escondendo em algum lugar, o homem tenta achar Deus nos templos, mas não consegue, pois lá queriam aprisioná-lo.

Então, Deus transferiu o seu esconderijo.

“Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens;”
(Atos 17.24)

Sendo assim, devemos continuar a nossa procura.

Onde é que Deus foi se esconder?

Acho que tenho uma pista...

Parece-me que Deus tem uma preferência. Ele gosta de se esconder em lugares improváveis, estranhos, inacessíveis. Ele gosta de se esconder na cultura, nas artes, nas telas, nos versos e prosas. Ele se esconde em gente humilde, pobre, sofrida, esquecida, rejeitada, injustiçada, condenada. O grandioso Deus se esconde no pequeno, no inofensivo, no esquisito, no incomum, no exótico.

E por quê?

Ao encontrá-lo no improvável, nos damos conta de que o Deus criador se revela naqueles a quem julgamos não conhecê-lo.

“Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;
Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me;
Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e foste me ver.
Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber?
E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos?
E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te?
E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.”
(Mateus 25.34-40)

Se você está à procura de Deus, prepare-se. Pode ser que Ele esteja escondido em quem você menos imagina. No entanto, se você estiver se escondendo de Deus, saiba que Ele é especialista em nos achar, não pense que você está ileso a sua busca.

A religião é o homem buscando a Deus, o evangelho é Deus buscando o homem.

A religião é o homem querendo controlar Deus, o evangelho é o homem rendido a Jesus, sendo guiado pelo Espírito e submisso a preciosa graça de Jesus, dando a Deus o controle de tudo.



Guarde isso em teu coração.



17 julho, 2016

A cura da alienação parental de Deus

Por Allan Felipe Freitas

Quando eu era pequeno sofri alienação parental[i]. Minha avó me colocava contra o meu pai. Penso que ela não fazia isso de maneira intencional, mas era o que acontecia. Ela me pintou um quadro irreal sobre ele. Costumava se referir à figura dele como sendo uma pessoa ruim e um péssimo pai.

Logo a identidade de pai que eu fui construindo tinha como base as informações que eu recebi da minha avó. Com o passar do tempo, e, a medida com que eu fui me relacionando com o meu pai, fui percebendo que ele era uma pessoa completamente diferente do que eu pensava. Ao me relacionar com o meu pai pude perceber quem ele era de verdade. A alienação foi desfeita.

Assim acontece com a concepção que temos sobre Deus. Quem não se relaciona com Deus acaba tendo em mente uma imagem a seu respeito construída em cima daquilo que lhe contaram. Deus é isso. Deus é aquilo. Deus é assim e assado. Na maioria das vezes os conceitos acerca de Deus passam longe do Deus-Pai Todo Amoroso revelado em Seu Filho Jesus.

Costumamos crescer acreditando num deus tirano, castrador, castigador, punitivo e vingativo. Pois bem, essas são as características do deus caricato criado pelos homens e desenhado pela religião. Um deus que não é o Deus, Pai de Jesus.

E por falar em Jesus...

A missão de Jesus era de nos mostrar (o pai) e nos levar ao Pai.


“E vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis, e o tendes visto (...) Quem me vê a mim vê o Pai.”
(João 14. 7, 9)

“Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.”
(João 14.6)


Só em Cristo Jesus somos curados da fobia de Deus.


Conforme vamos nos relacionando com o Pai, por intermédio, do perfeito caminho aberto por Cristo, podemos conhecê-lo. Então, conhecendo e prosseguindo em conhecer o Pai celestial, nos damos conta de quem Ele é de verdade. Com isso, somos curados da síndrome de alienação de Deus. Desta forma passamos a nos ver como sendo filhos amados, os quais ele ama tanto quanto o seu primogênito, Jesus.





* Síndrome de Alienação Parental (SAP), também conhecida pela sigla em inglês PAS, é o termo proposto por Richard Gardner em 1985 para a situação em que a mãe ou o pai de uma criança a treina para romper os laços afetivos com o outro genitor, criando fortes sentimentos de ansiedade e temor em relação ao outro genitor. (fonte: alientacaoparental.com.br)




24 junho, 2016

Abuso espiritual: danos, sintomas e tratamento


Por Allan Felipe Freitas

Não é pouca a minha preocupação com a enorme quantidade de gente traumatizada pela selvageria da indústria religiosa. O que mais vejo são pessoas feridas, abusadas e enganadas.

Aprofundando a discussão iniciada o no texto anterior: Estuprados na Alma, no qual foi dada uma definição do que seria o abuso espiritual propriamente dito, o presente texto abordará as seguintes questões ligadas a temática do abuso espiritual: danos, sintomas e tratamento.


Os danos causados pelo abuso espiritual

Há casos em que o controle exercido pelo líder autoritário e abusador é tanto que a pessoa não pode comprar um eletrodoméstico ou fazer uma viagem em família sem antes pedir a autorização da liderança religiosa.

O tripé de sustentação usado para manter o controle é composto pela culpa,  medo e a ambição.

O líder está em uma posição de superioridade, pois costuma estar em evidência, portando um microfone e falando do alto de uma plataforma. O abusador gosta de reafirmar ser o representante de Deus. Infelizmente muitas comunidades costumam acatar esse tipo de discurso.

O líder fala em nome de Deus. Quem vai questionar?

O fiel fica sem alternativa. Deus está falando, como não vou obedecer? Se ele discordar do que é dito é taxado de rebelde, herege, apóstata, enviado de Satanás... daí para baixo.

O sistema religioso funciona com base no controle. É tudo muito bem elaborado para que aquele que discordar de alguma “autoridade” receba a devida punição.

Não é toda igreja e nem é toda a denominação em que esta lógica se perpetua. Todavia, em muitos locais há um verdadeiro aparato de exploração, manipulação e abuso que causam inúmeros distúrbios psicológicos.

É comum encontrarmos vítimas de abuso espiritual que desenvolveram quadros de Depressão, Síndrome do Pânico, Fobias, Transtornos de Ansiedade, Síndrome de Burnout, Transtorno de Estresse Pós-Traumático e Traumas severos.

Muita gente está ferida e não quer mais saber de igreja. Algumas estão profundamente decepcionadas com Deus depois de terem vivenciando experiências tão dolorosas e traumáticas.

A boa notícia é que existe tratamento para quem sofreu abuso espiritual. Se você foi vítima de abuso espiritual, você pode procurar um psicólogo especializado nessa temática. A psicoterapia irá facilitar a elaboração dos medos, ansiedades e traumas gerados pelo abuso. Além disso, poderá lhe oferecer meios para ressignificar o ocorrido. Assim, num acompanhamento psicológico é possível tratar a causa e os sintomas.


Se você precisar de ajuda, conte comigo. Estou disponível para lhe ajudar no que for possível. Sou psicólogo clínico e possuo experiência em atendimento a vítimas de abuso espiritual.


Entre em contato.

Podemos agendar uma avaliação gratuita!

Meu e-mail é: allanfelipe.psi@gmail.com


*Allan Felipe Freitas é psicólogo formado pela (UVA), responsável pelo blog Evangelho Sem Censura, atua como psicoterapeuta e palestrante, possui vasta experiência em pesquisa e atendimento a pessoas vítimas de abuso espiritual.


23 junho, 2016

Estuprados na Alma


Por Allan Felipe Freitas

Ultimamente, para a glória de Deus, a nossa sociedade tem discutido intensamente a questão do estupro. Após a divulgação de um vídeo no qual uma adolescente de 16 anos é brutalmente estuprada por 33 homens, numa comunidade da zona oeste do Rio de Janeiro, muitas pessoas manifestaram o seu apoio à vítima desta terrível violação. Inúmeras postagens recentes fizeram menção à cultura de estupro enraizada em nossa sociedade.

Contudo, faço questão de destacar que o número de vítimas de estupro é infinitamente superior aos dados apresentados em qualquer pesquisa ou levantamento feito por um órgão de pesquisa. Digo isso com base na minha experiência como psicólogo clínico e como cristão.

Há um número incontável de vítimas de estupro em nosso país que não faz parte de nenhum dado estatístico específico.

São as vítimas de abuso espiritual. 

Refiro-me a pessoas que não foram estupradas no corpo (às vezes até são), mas que foram estupradas na alma.




Vamos falar sobre abuso espiritual?

O número de vítimas de abuso espiritual no Brasil é incalculável. No meio evangélico há um alto índice de vítimas deste tipo de abuso. O crescimento do número de vítimas nesse determinado contexto religioso costuma ser até maior do que em outras religiões.


Continue a leitura para saber o que é o estupro na alma ou o abuso espiritual.


O que é o abuso espiritual?

É o uso da posição de liderança ou poder para seduzir, influenciar e manipular as pessoas a fim de alcançar interesses próprios.

O contexto religioso evangélico, na maioria das vezes, é muito propício para a prática desta violência, que pode ser comprada a um estupro físico. O líder se aproveita da ingenuidade, da sinceridade, da fé e do momento de fraqueza do fiel para abusar de sua boa vontade, beneficiando a si próprio. Como num estupro, a vítima de abuso espiritual se sente usada, violada, aviltada.

O abusador não respeita a privacidade e nem os limites da vítima enquanto ser humano. Alguns argumentos são utilizados no intuito de exercer controle e obter informações íntimas que favoreçam o esquema de manipulação.

O abuso espiritual normalmente atinge diversas esferas da vida, como a parte financeira, a saúde física e emocional, a família e a vida espiritual/ministerial. Normalmente os abusados são explorados, sendo coagidos a trabalhar exaustivamente na igreja de maneira voluntária, sendo induzidos a ofertar altos valores, obrigados a fazer sacrifícios e doutrinados a se submeterem incondicionalmente a autoridade do líder. 

Boa parte das vítimas costuma relatar a prática de uma obediência cega, abrindo mão de sua privacidade e da sua capacidade crítica.


O texto continua amanhã.


Retorne ao blog para ler a segunda parte em que abordarei o temaAbuso espiritual: danos, sintomas e tratamento”.



16 junho, 2016

Perigo: A nossa taxa de humanidade está baixa!

taxa de humanidade, desumano

Certa tarde estava eu caminhando por uma rua próxima a minha residência, quando “sem querer querendo” ouvi o pedaço de uma conversa de duas senhoras. Uma senhora de meia idade dizia para a outra:

- O meu marido está internado, por que a taxa de “HUMANIDADE” dele está baixa. Os médicos disseram que ele não pode receber alta, por causa disso... Entendeu? É por causa da taxa de “HUMANIDADE”.

Imediatamente eu comecei a rir. Todavia, eu não estava tirando sarro daquela senhora. Não estava desdenhando de sua situação e muito menos achando graça na sua condição, pois muito provavelmente, ela não teve acesso à educação formal de qualidade, o que deve ter contribuído para que ela fale assim. Saliento que muito compadeci do seu sofrimento. Só quem já teve um ente querido internado sabe como é difícil.

Deixando de lado os detalhes, permita-me explicar o motivo do meu riso. Ri porque tive um insight. Pensei no seguinte: Assim como a taxa de imunidade é importante para a nossa saúde física, a taxa de humanidade é importante para a nossa condição existencial de seres humanos, de pessoas (indivíduo e sociedade).

Em linhas gerais, a taxa de imunidade diz respeito à capacidade de defesa do sistema imunológico. Esse sistema age em defesa do corpo, combatendo ataques de bactérias, vírus e infecções contra o organismo.

Quando a taxa de imunidade está baixa, o organismo fica mais suscetível a doenças. Nesse sentido, dependendo da doença e do tratamento dado ao enfermo, a pessoa pode vir a recuperar a sua saúde, como pode também, em casos mais graves, vir a óbito.

Do mesmo modo acontece com a questão da humanidade. A taxa de humanidade mede o quão humanos somos. Quanto menor a taxa de humanidade maior o grau da barbárie. Infelizmente corremos o risco de zerar a taxa de humanidade, e assim, perdermos de vez a nossa capacidade de sermos humanos.

Notícias como a do ataque a uma boate gay em Orlando, que deixou 50 mortos dias atrás, indicam que no geral, a nossa taxa humanidade está baixíssima.

Considerando o nosso contexto atual, alguns pontos me chamam muita atenção. Não é de hoje que podemos constatar que as coisas estão valendo mais do que as pessoas, e, que para muitos, os fins justificam os meios. Logo, chego à conclusão, que tudo isso aponta para a nossa doença ética. De fato corremos o sério risco de perder a nossa humanidade.

Parece-me que estamos vivendo uma baita crise de humanidade, uma espécie de epidemia que atinge todas as classes e todos os credos, uma doença contagiosa que nos faz agir como animais irracionais ou como robôs programados para destilar ódio e intolerância.

Os sintomas dessa peste que assola o nosso tempo são o discurso de ódio, a intolerância religiosa, o racismo, a homofobia, o preconceito contra a mulher, a indiferença e a falta de empatia e de solidariedade.

Não há como ficar indiferente ao tomarmos ciência de um atentado como o mencionado acima. Como é triste ver que algumas pessoas (seres humanos como aqueles que perderam suas vidas naquele ataque bárbaro) estão fazendo piada com o ocorrido. Algumas ousam justificar a morte dos 50 pelo fato de serem homossexuais.

Onde vamos parar?

Fica o alerta.

Tenha cuidado! A nossa (gênero humano em larga escala) taxa de humanidade está em baixa.

Precisamos nos tratar.

A despeito de tudo, eu quero manter viva e acesa em meu coração a chama da esperança. Esperança que me faz anelar (não só para mim, mas para todos) por um futuro melhor, um mundo mais justo e um ethos (espaço de convivência) que comporte a todos, sem distinção.

Faço minhas as palavras de Lulu Santos:

“Eu vejo a vida melhor no futuro...
Eu vejo a vida mais clara e farta.
Repleta de toda satisfação...
Eu quero crer no amor numa boa, que isso valha pra qualquer pessoa...
Eu vejo um novo começo de era.
De gente fina, elegante e sincera
com habilidade pra dizer mais sim do que não...”
(retalhos da canção Tempos Modernos)


Deixo aqui um apelo:


Humanidade, humanize-se já!



Eu fico por aqui.



*Texto publicado originalmente no blog Psicologia e Existência.





21 maio, 2016

O que penso sobre o boicote à C&A promovido por Ana Paula Valadão

Ana Paula Valadão

Por Allan Felipe Freitas

A cantora Ana Paula Valadão, da Igreja Batista da Lagoinha, protagonizou mais uma polêmica nas redes sociais. Desta vez ela resolveu promover um boicote à rede de lojas C&A.

Ana Paula não é a primeira evangélica a promover esse tipo de campanha. Há tempos atrás o pastor Silas Malafaia promoveu um boicote à Boticário em reação a uma peça publicitária na qual um casal de homossexuais troca presentes da marca, em comemoração ao dia dos namorados. Vale salientar, que nesse comercial não houve beijo ou alguma carícia erótica, apenas a troca de presentes e uma abraço, se não me falha a memória.

Se você deseja saber a minha sincera opinião sobre tal acontecimento, por gentileza, continue a leitura.

O pastor Marco Feliciano também fez a sua campanha de boicote. O alvo nesta feita foi a empresa Natura, do ramo de cosméticos. De acordo com o deputado, a empresa patrocinava uma novela que fazia apologia a homoafetividade. Feliciano, assim como Malafaia, foi alvo de diversas críticas do movimento LGBT e de grupos evangélicos menos conservadores.

Pois bem, Ana Paula é a bola da vez. Em reação a propaganda “C&A Dia dos Misturados”, ela afirmou que foi tomada de uma “santa indignação” despertada ao assistir o comercial. Segundo a ministra de louvor, “estão provocando para ver até onde a sociedade aceita passivamente a imposição da ideologia de gênero”. Considerou o comercial uma afronta e um desrespeito.

Sua petição é para que os cristãos não comprem mais roupas na loja.

Minha opinião:

Sinceramente acho que ela não faz essas coisas por maldade. Não é de hoje que dá certas declarações levianas e apóia campanhas que não tem nexo, como a promovida pela pastora Elizete Malafaia, em defesa do modelo de mulher bela, recatada e do lar, baseado na esposa de Michel Temer.

Ademais, esse tipo de boicote é no mínimo ridículo! Para mim como cristão é difícil de engolir, imagina para quem está fora da igreja!

São discursos sem o menor teor reflexivo, frutos de alienação e falta de conhecimento. Penso que ela vive numa redoma de vidro tão apertada que só consegue recitar versículos bíblicos e jargões religiosos. É um discurso místico e fantasioso que não leva as pessoas a refletirem, a pensar sobre vida e a lutar contra as injustiças. Sua ação e suas ministrações não promovem senso crítico nas pessoas, pelo contrário, as anestesia da realidade.

É triste notar que uma pessoa como Ana Paula Valadão influencia milhares de evangélicos pelo Brasil. Querendo ou não ela é uma formadora de opinião. Como bem pontuou o bispo Hermes Fernandes em seu texto “A nada santa indignação seletiva de Ana Paula Valadão e o boicote à C&A” (recomendo que leia), é de conhecimento público que a loja supracitada e tantas outras fazem uso de trabalho escravo em sua produção. Sobre isso não houve nenhuma manifestação da cantora, ou seja, trata-se de uma revolta seletiva, de cunho moral, mas não ético.

Pense bem. É desta forma que vamos impactar o mundo? Promovendo boicote?

Enquanto ela estava fazendo essa presepada toda, o querido pastor e presidente da ONG Rio de Paz, Antonio Carlos Costa, estava na Lagoa Rodrigo de Freitas debaixo de chuva, pregando cartazes que representam os mortos pela violência no Rio de Janeiro. Crianças inocentes, idosos, policiais; gente pobre, humilde e trabalhadora, morta a troco de nada.

O pastor Antonio Carlos Costa mostrou para a sociedade o que é ser um cristão consciente e engajando. São com atitudes como a dele que demonstramos ao mundo a nossa relevância e não com boicotes bobos e baratos.

Foto de ato realizado há cerca de 1 ano atrás, quando o médico Jaime Gold foi brutalmente assassinado
por facadas. Não conseguimos fotos da manifestação recente.

A propósito... Você sabia que Ana Paula Valadão possui uma grife gospel? Pois é... Será que as vendas aumentaram?


Segue abaixo foto do modelito de uma coleção da grife e o vídeo da campanha da C&A.


Sua opinião também é muito importante. Deixe um comentário logo abaixo e compartilhe conosco o seu ponto de vista.


Ana Paula Valadão, C&A, vestido, grife
Vestido da grife de Ana Paula Valadão baseado em versículo bíblico. Preço mais alto do que a
média dos vestidos vendidos na C&A.






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